Rango, um universo de referências

Há muita citação cinematográfica embutida neste desenho animado, Rango, a começar pelo título, que evoca o personagem do Oeste Django. As referências vão se acumulando ao longo da trama. Rango é um lagarto solitário, que vive num tanque de areia e tem o hábito da meditação. Depois de um acidente automobilístico, ele se vê no deserto do Mojave, na Califórnia. Depara-se com um carro que traz os personagens de Medo e Delírio, de Terry Gilliam, baseado no livro do jornalista gonzo Hunter Thompson. A piada faz mais sentido na versão original, pois a voz do lagarto é de Johnny Depp, e Depp é quem interpreta Thompson no filme de Gilliam.

Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2011 | 00h00

Enfim, uma vez perdido e a sós consigo mesmo, Rango encontrará conselho em um tatu de sotaque hispânico, que lembra o Quixote, mas também Dom Juan, personagem de Carlos Castañeda em A Erva do Diabo e tantos outros livros de insight através do peiote, famosos na década de 1970.

Além disso, Rango espera a iluminação de um certo Espírito do Oeste, que, quando aparece, é a figura exata de um certo... Clint Eastwood, o herói sem nome da trilogia de Sergio Leone. Entre as referências, claro, a maior é Leone, o que explica também a trilha sonora, toda ela decalcada das que Ennio Morricone compôs para o pai do western spaghetti.

Tudo isso faz de Rango uma ótima diversão para quem detém cultura cinematográfica necessária para decifrar as alusões que se sucedem na tela. Mas o engraçado é que, sendo também um produto para crianças, o filme de Gore Verbinski, diretor de Piratas do Caribe, não se fecha a quem não pode decifrar citações. Tem suas porções de aventura e humor. E assim todos podem curtir a luta de Rango contra um vilão que promove a seca como meio de dominar a população do deserto. "Quem controla a água controla tudo", afirma. Frase e tese, aliás, que são de Chinatown, o noir tardio de Roman Polanski.

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