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Rainha argentina do gênero fantástico

Aos 25 anos, Tiffany Calligaris se torna um fenômeno de vendas com a trilogia 'Lesath', que se passa entre elfos

O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2014 | 02h06

BUENOS AIRES - Com a publicação de La Corte del Hechicero, última parte da trilogia fantástica Lesath, um sucesso de vendas na Argentina, a escritora Tiffany Calligaris se perfila como uma das "rainhas" de um fenômeno literário que arrebata milhares de fãs no país sul-americano.

"Alívio, que nada", garantiu Calligaris, ao terminar o último livro da trilogia Lesath que, com mais de 20 mil exemplares vendidos, a converteu, em seus 25 anos, em uma das principais expoentes do gênero fantástico. Em entrevista para a agência EFE, a escritora argentina confessou que, quando começou a escrever Memorias de un Engaño, o primeiro tomo da saga e sua obra-prima, pareceu-lhe que, com apenas 21 anos, era "uma loucura" criar uma trilogia, "algo muito clássico do gênero" que costuma contar com histórias publicadas em vários volumes, mas agora está "contente por ter ficado realmente bom".

"Este último livro foi o que gostei mais de escrever porque foi um desafio, mas, por outro lado, foi intenso porque é o que tem mais batalhas e cenas românticas", explicou a escritora.

A obra de Calligaris relata as aventuras de Adhara, jovem metade elfo e metade humana que. ao completar 19 anos, abandona o reino élfico, onde nunca se sentiu à vontade, para se dirigir ao mundo dos humanos, Lesath, onde se descobrirá e se apaixonará, fará novas amizades e terá de enfrentar forças malignas ocultas.

Calligaris é advogada, mas sua paixão "desde muito menina" foi a escrita e sempre soube que, no dia em que decidisse escrever um romance, seria do gênero fantástico, seu favorito por ter crescido lendo J. R. Rowling, Christopher Paolini e, especialmente, J. R. R. Tolkien, cuja obra a inspirou a criar o mundo de Lesath.

O gênero fantástico é um êxito comercial garantido na Argentina, especialmente entre o público adolescente, e isso motivou editoras a publicarem os livros de jovens que se aventuraram no fantástico - primeiro como leitores para depois se dedicarem às suas próprias histórias.

Junto com Calligaris, autores como Victoria Bayena, Nicolás Pinto, Julián Cáceres e Maria Inés Linares são os representantes deste fenômeno literário que não para de conseguir adeptos a partir de magia, espadas e seres fantásticos.

"Formamos a 'Confraria do Fantástico Argentino': somos oito autores de diferentes editoras que gostamos dos mesmos livros, nos tornamos próximos e nos pareceu uma boa ideia promover o gênero indo junto a eventos", relatou Calligaris.

Todos os meses, a Confraria realiza "tertúlias", ideia que tomaram dos autores de ficção científica, que consistem em reuniões abertas a todos que queiram participar, onde escritores e fãs do gênero se reúnem para trocar ideias sobre seus livros, filmes e histórias preferidas.

Para a criadora de Lesath, o êxito do fantástico se deve "porque nos dá um escape que outros gêneros não dão por se associarem mais à realidade ou a fatos que ocorrem todos os dias. A literatura fantástica nos distancia completamente do que estamos acostumados, nos inspira, e nos estimula um lado mais criativo porque imaginamos coisas a partir do zero."

Ao mesmo tempo, "ela tem esta capacidade de relacionar perguntas ou temas pelos quais todos passamos, mas de alguma maneira agrega o elemento mágico que nos faz ver diferente", acrescentou.

Para Calligaris, "a magia é algo fundamental" e não pode faltar em qualquer história do gênero porque "é o que dá aquele extra inexistente em nosso mundo", como os dragões que, embora "não sejam algo que deva estar em todo o livro", devem "fazer uma aparição". "Um bom duelo e espadas também não podem faltar", garantiu.

Batalhas e amor é o que os leitores da saga, cuja idade varia dos 13 aos 18 anos, mais desfrutam nos romances de Calligaris, conforme confessam para a escritora nas redes sociais, nas quais mantêm contato permanente com ela.

Acostumados a ler autores estrangeiros, os seguidores da saga confessaram a Calligaris que, no começo, "não tinham muitas esperanças" em seu livro "porque ela era argentina e muito jovem", mas depois se converteram em leitores fiéis.

A autora sustenta que o contato cotidiano faz com que os fãs de Lesath a considerem "mais uma" entre os amantes do gênero e agradece que entre eles não se forme o vínculo rígido de "autor-leitor", mas uma relação de "companheirismo".

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