Paulo Liebert/AE
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Raí

Aos 45 anos, inspirado por sua neta, o ex-jogador de futebol lança seu primeiro livro infantil e espera estimular as crianças de sua fundação

Lucas Nobile, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2011 | 00h00

De que maneira sua neta serviu como inspiração para o livro? Você é um avô que contava muitas histórias para ela?

Sempre gostei de contar histórias para minha neta dormir, sempre procurando inventar. Mas não pensava ainda em fazer um livro. Tempos depois, li uma redação dela, que hoje já está com 12 anos, na época tinha 10. Ela adorou as aulas iniciais de filosofia e a professora usava a imagem de duas bonecas, que eram a Filó e a Sofia (personagens do livro). E ela botou na redação de português essa influência que teve na aula de filosofia. Ali eu decidi: tenho a base, os personagens, e parti para escrever. Tirei uma semana, fui pra Bahia, peguei um bangalô, sozinho. Ali, fiquei tentando não pensar em nada do dia a dia. Em três horas escrevi o esqueleto que achei que ficou legal e trabalhei em cima dele.

E o seu contato com as crianças da Fundação Gol de Letra. Você já é um espelho como esportista, agora acha que deve ser inspiração em outra área?

Não foi a razão pela qual escrevi, mas com certeza depois eu imaginei isso. Na própria fundação, muitas crianças do projeto não me viram como atleta. Tem uma história engraçada de um menino de lá que outro dia perguntou se eu tinha sido goleiro (risos). Tenho certeza de que o livro vai estimular mais as crianças da fundação. Esse conceito de multi-interesses é o que enriquece, né? Acho que para mim, para o Sócrates também, na família, o diferencial na carreira como esportista foi esse interesse diverso. Um livro de um ex-jogador que não fala de futebol é um estímulo para as crianças não só da fundação. A França tem isso. Lá, uma vez joguei uma partida de tênis contra uma mulher que tinha o esporte como hobby e era filósofa. Eu perdi. Tenho certeza absoluta que não perderia uma partida de tênis para uma mulher filósofa no Brasil. Ela fez filosofia e não deixou o prazer pelo esporte. Aqui, existe muito essa separação desde a escola.

A gente vê muitos esportistas e ex-atletas escreverem livros autobiográficos. Nunca pensou em fazer uma biografia?

Já tive propostas, mas achei que só a história do futebol não ia ser suficiente. Nunca levei adiante, mas já tive uns cinco convites. Esse o espírito do livro, um esportista escrever sobre outro assunto.

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