Radical e muito chic

Maria Paula, que vai fazer a heroína de Miguel Paiva em filme, fala de De Pernas pro Ar 2, atitude e de cidadania

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2012 | 02h09

Maria Paula não 'faz' o estilo gostosa - ela é, e vai muito bem, obrigado. Embora De Pernas pro Ar 2, de Roberto Santucci, seja formatado para Ingrid Guimarães emplacar novo sucesso - ela é a única mulher no clube dos comediantes campeões de bilheteria do cinema brasileiro -, Maria Paula também marca presença (fiu fiu!) como sua sócia no negócio das sex shops. As duas vão parar em Nova York e, na inauguração da nova loja, protagonizam um bate-boca bem baixo nível, em que Maria Paula, isto é, 'Marcela', acusa a (ex?) colega, 'Alice', de estar querendo roubar seu homem.

O filme pode ser de Ingrid - todo mundo serve de escada para ela -, mas Maria Paula tem motivos para festejar. Ela fecha o que chama de 'ciclo de sua vida' - embora seja sempre associada ao boom do Casseta & Planeta na TV brasileira, Maria Paula surgiu no Radical Chic, híbrido de programa humorístico e game show. Andréa Beltrão fazia a personagem criada pelo cartunista Miguel Paiva e Maria Paula apresentava o game show. Agora, 19 anos depois - Radical Chic foi ao ar em 1993 -, Maria Paula será a própria Radical Chic no longa que Antônio Carlos Fontoura vai fazer no ano que vem.

"Estou superfeliz porque o programa já tinha sido muito interessante. A Andréa interpretava os esquetes dos quais saíam os temas propostos no game show para estudantes do ensino médio e universitários. Eles eram divididos em grupos por sexo e o programa mobilizava torcidas imensas." Agora, Maria Paula vai encarnar a própria Radical Chic, personagem que tinha uma filosofia toda própria de vida. Algumas de suas frases ficaram famosas - "De que adianta fazer plástica, se você se lembra do governo do Jango?', "Certas dietas são simples - basta cortar frituras, açúcar, massas, bebidas alcoólicas... e os pulsos" e "Dizem que estou ficando enjoada, amarga, ácida, sem graça. Não é verdade. É só colocar limão, adoçante, sexo, gelo, brilhantes e mexer gostoso, que eu fico ma-ra-vi-lho-sa!"

O show vai recomeçar - e Maria Paula lembra como o programa volta e meia enfrentava problemas com a Vara da Família e do Adolescente, por abordar o sexo (e de forma ousada para a época). O erotismo está sempre associado à estrela, que transpira sex appeal. "Eu, hein?", ela brinca. Pois se prepare para o que talvez seja uma surpresa. Gostosa, sexy, tudo isso Maria Paula pode ser, mas se a personagem dela às vezes passa a ideia de ser, não propriamente burra, mas 'perua', Maria Paula, na vida, é outra coisa. Formada em psicologia e medicina oriental, ela já tratou do próprio Romário, quando ele teve uma lesão.

E conta: "Fui exercer a função num hospital da rede pública do Rio. As pessoas chegavam e davam de cara comigo. Todo mundo ficava pisando em ovos. Custavam a se abrir, ficavam olhando para os lados, com medo de que fosse pegadinha. Alguns chegavam a perguntar - cadê a câmera?" Maria Paula não é a única artista brasileira a participar de movimentos comunitários e populares, mas o faz com tanta discrição - é a cidadã, não a estrela - que a própria mídia não fica alardeando o fato. As entrevistas do filme De Pernas pro Ar 2 se realizaram em São Paulo na segunda-feira da semana passada e, dias antes, Maria Paula participara de uma mobilização contra a corrupção, em Brasília.

"Acho que nunca houve, na história deste País, uma discussão tão aberta e intensa sobre o tema. Estamos num momento histórico de mudança, que pode ser muito positivo para nossa evolução." A corrupção não é o único item que mobiliza Maria Paula. Agora mesmo, ela participa de uma campanha do Ministério da Saúde, em defesa do aleitamento infantil. "Meu filho caçula, o Felipe, nasceu no Hospital Ferreira Machado e eu o amamentava. Havia, na mesma ala, uma garotinha cheia de problemas, e que foi salva com meu leite. Nós duas estamos na campanha", ela conta, orgulhosa.

Sofrendo do que parece ser uma alegria crônica, Maria Paula não se considera humorista. "Acho que é muito mais uma questão de atitude e astral do que o fato de eu ter veia de comediante", avalia. Desde 2005, ela publica crônicas semanais no Correio Braziliense. Aborda tudo - o quê? "Tudo, né? Política, corrupção, assuntos de mulher, de comportamento, de sexo, de meio ambiente e sustentabilidade." É uma escrita social e ética. "Não quero dar lições de cidadania para ninguém, mas ser inspiradora por minhas atitudes", diz. "Uma pessoa que se comporta de forma inovadora, independente, de acordo com suas verdades pode ser considerada uma pessoa de atitude." As crônicas foram reunidas em livro - Maria Paula: Liberdade Crônica, da Editora Faces. Dividem-se em Atitude Caráter, Atitude Afeto e Mulher de Atitude.

Até por conta do livro, Maria Paula não para de viajar pelo Brasil. "Dou palestras que atraem muita gente, muitos jovens." Assim como a Radical Chic se expressava por meio de frases, Maria Paula também possui crenças. "Dependendo de como você se coloca, o mundo lhe responde com respeito, admiração e receptividade." E mais: "Qualquer demonstração de solidariedade tem um significado enorme para quem está numa situação difícil". Sobre a Marcela do De Pernas pro Ar 2, ela diz: "O 1 já tratou do orgasmo, então agora a questão é outra. Todo o filme é mais sofisticado, as personagens ganharam mais consistência, o tom é familiar". De Pernas pro Ar 2 estreia em 28 de dezembro - para fechar 2012 com muitas risadas. E antes de Radical Chic, o filme, ela estará na próxima novela de Maria Adelaide Amaral, às 7, na Globo, Sangue Bom. Vem muita Maria Paula por aí.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.