Racismo em debate

Encontro em São Paulo vai reunir psicanalistas e artistas

MARIA FERNANDA RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2012 | 03h11

A discriminação racial e suas implicações no sujeito e na sociedade são temas do encontro O Racismo e o Negro no Brasil - Questões para a Psicanálise, que vai reunir, em três momentos, entre amanhã e junho, psicanalistas, antropólogos, educadores, músicos, cineastas, escritores e profissionais de outras áreas em debates no Instituto Sedes Sapientiae (Rua Ministro Godoy, 1.484, Perdizes). Um curta feito para o evento, que é aberto a todos os interessados, será exibido.

Para a psicanalista Noemi Moritz Kon, da comissão organizadora, o papel da psicanálise com relação a essa questão é pensar no que é jogado no outro no momento da discriminação. "Porque a gente poderia pensar que o outro revela novas faces de nós mesmos. Se eu jogo no corpo do outro aquilo que eu odeio em mim, eu poderia ficar num lugar que Freud poderia chamar de ego prazer purificado. Se eu falasse de Voltaire, eu ficaria com o meu jardim limpinho, porque eu jogo as ervas daninhas para fora", diz. A psicanalista considera que a questão do racismo é mais dissimulada no Brasil "porque somos o povo da cordialidade e da miscigenação". Mas quem recebe a pele da mestiçagem não recebe exatamente esse tipo de aplauso, comenta.

Na abertura, amanhã, das 9 h às 13h30, haverá um sociodrama com direção do psiquiatra e professor de Psicodrama da PUC, Pedro Mascarenhas, e participação de Maria Célia Malaquias, Jussara Dias, Mara Caffé e Paulo Jerônimo Pessoa de Carvalho. A ideia é que participantes e plateia compartilhem experiências.

"As pessoas vão poder contar, pela fala ou gestos, o que sofreram ou viram com relação à cor de pele. É uma chance de colocar em público o que muitas vezes são vivências particularizadas e uma oportunidade de expressar e de ser recebido, ecoar essa experiência em outros", explica.

No dia 19 de maio, das 9h às 13h30, será exibido o curta Um Passo Para Ir, da cineasta Eliane Caffé, diretora de Narradores de Javé. Após o filme, haverá debate com Kabengele Munanga, professor da USP.

A última etapa do encontro será nos dias 22 e 23 de junho e inclui debates entre representantes de diversas áreas. A abertura da programação do dia 22 será feita às 20 h por Maria Lucia Silva, psicóloga do Instituto AMMA Psique e Negritude e uma das idealizadoras do evento. Na sequência, discutem a questão da cor e do inconsciente Lilia Moritz Schwarcz, Isildinha Baptista Nogueira e Maria Beatriz Costa Carvalho Vannuchi. O painel do dia 23 abordará o tema Educação e Humilhação Social no período da manhã e, à tarde, a conversa será sobre as articulações do cinema e da literatura com a questão do racismo.

O encontro de amanhã é gratuito. O valor da inscrição para as outras duas etapas é R$ 60.

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