Racionamento ameaça shows e festas ao ar livre

A resolução do governo federal que proíbe o atendimento a pedidos de fornecimento provisório de energia para shows em lugares abertos e festividades causou indignação e preocupação aos promotores de eventos. Para Marcelo Murta, promotor da Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos - uma das maiores festas populares do País, que acontece em agosto - a medida é irresponsável. "Estou indignado. Não temos como cancelar uma festa desse porte."Segundo ele, no ano passado, os organizadores do evento investiram R$ 800 mil em uma subestação de energia construída dentro do parque do peão. "Utilizamos geradores também, mas a maior quantidade vinha da nossa rede", explica. Murta diz que a rescisão de contrato dos shows dos artistas - como do cantor porto-riquenho Rick Martin e da dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó que deverão se apresentar este ano - é muito mais cara que um investimento em geradores. "A festa gera centenas de empregos, tem um capital de giro de R$ 100 milhões e atrai cerca de 500 mil pessoas. É impossível acabar com um evento desse porte", diz.Os shows promovidos no Parque Ibirapuera pela Secretaria Municipal de Cultura também estão ameaçados. A assessoria de imprensa informou que para o abastecimento dos alto-falantes e dos holofotes é utilizado tanto a energia de geradores quanto da Eletropaulo.Prejuízo - A secretaria disse que pretende buscar alternativas com seus parceiros para a viabilização dos espetáculos. Segundo a assessoria de imprensa da empresa de energia elétrica Bandeirante - que abastece 55 municípios do Estado - as medidas do governo trarão prejuízo para vários setores econômicos. De acordo com a assessoria, sempre que há um evento, os organizadores têm de solicitar a carga estimada para manter a iluminação do local. O problema é que as empresas distribuidoras de energia ainda não sabem como irão agir com os seus clientes.O Anhembi Turismo e Eventos, administrada pela Prefeitura, é uma das poucas empresas preparadas para o racionamento. Segundo nota oficial, "a empresa irá poupar seus clientes e a economia paulistana da irresponsabilidade dos governos federal e estadual". A assessoria de imprensa afirma que não haverá gastos extras de energia já que toda a infra-estrutura dos shows utliliza geradores, locados pelos promotores do evento, como fonte de energia. No pavilhão de Exposições, acontece o mesmo. Cerca de 80% de toda a iluminação das feiras também é de geradores.Para os empresários que pretendem colaborar com o Governo, uma boa opção é a eletronicAmericas2001 - Feira Internacional da Indústria de Componentes, Tecnologia Laser, Optoeletrônica e Instrumentação - que será realizada nos dias 21 e 25 no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo. A feira contará com a exposição de equipamentos importados que consomem menos energia. "Queremos ver se o evento desperta interesse dos fabricantes nacionais para produzi-los aqui", disse o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, Carlos de Paiva Lopes.

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