Rachel Ripani

Atriz, produtora e tradutora teatral, ela agora se lança como autora em cabaret luxúria, espetáculo musical que trata do desejo feminino

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

17 Abril 2011 | 00h00

Além de ser atriz, você é formada em gastronomia...

Minha trajetória foi muito vertiginosa. Comecei com Antunes Filho, aos 13. Depois, aos 19, trabalhei com Paulo Autran. Aos 20, estava na Inglaterra. Tudo aconteceu muito rapidamente. A formação em gastronomia surgiu num momento em que eu precisava de algo mais palpável. Me interessou porque parecia também ter uma dimensão artística. Comida para mim é arte.

Você vai estrear agora um novo espetáculo, Cabaret Luxúria. Mas já está em cartaz com Mamma Mia. Vai dar para conciliar?

O Mamma Mia não vai ter mais sessões às quartas-feiras nesta temporada. E eles me liberaram também para alguns espetáculos às quintas do Cabaret Luxúria. A princípio vai dar para levar os dois. Mas vai ser uma loucura, vou ficar em cartaz de terça a domingo.

Seu nome apareceu em boa parte das traduções que vimos no teatro no ano passado. Como apareceu esse lado tradutora?

Estudei em um colégio alemão. Depois morei na Inglaterra. Lá, o Peter Brook me mandou estudar francês. A tradução veio porque para traduzir teatro você tem que pensar um pouco como ator, como alguém que vai falar aquilo. Muitas traduções que a gente encontra têm um teor literário, não é como você diria aquilo. Mas eu não tinha essa pretensão. Comecei a traduzir só para os amigos.

Você também tem uma produtora, não é?

Hoje, faço as coisas como num pacote. Indico alguns textos, negocio os direitos e acabo traduzindo. É bom porque é um jeito de me pulverizar. Como não tenho verve para ser diretora, acho que a tradução é um outro meio de me expressar.

Cabaret Luxúria é seu primeiro trabalho como autora. De onde veio essa vontade de escrever?

Queria dizer alguma coisa que não estava dita em um texto já escrito. Tenho três textos na gaveta, mas esse era o mais possível neste momento. A ideia do espetáculo surgiu do desejo de fazer um musical, com a Rosi Campos e outras vozes femininas. Aí, com sete mulheres reunidas, eu pensei em tratar de amor. Mas não da tradicional perspectiva feminina, da doçura. Queria falar da mulher que deseja, da luxúria, um lado mais cabaré que é também uma linguagem que eu queria explorar.

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