Rachel e Neruda, entre os lançamentos de livros

UMA MENINA DO CEARÁ CHAMADA RACHEL. ELA, DONA RACHEL DE QUEIROZ.Em Memórias de Menina (José Olympio, 32 páginas, R$ 23,00), estão onze histórias. Histórias que recuperam a infância não só da autora, Rachel de Queiroz, mas de toda mulher ou homem, não importa a idade, que goste de lembrar dos seus tempos distantes. A escritora, nascida e criada no Ceará, fala não apenas de seu Nordeste, mas também de outros recantos do país, pois mudou-se para o Rio de Janeiro muito jovem. Narra os costumes de cada região e faz um paralelo entre a vida dos pobres e ricos, das moças do interior e das cidadesCom gosto de doce lembrança, ela recorda, em Capote, do palhaço e mágico abandonado pelo circo. É a magia do circo que marca as recordações de qualquer infância. Em Vida de hoje, a escritora diz que, atualmente, as crianças precisam aprender a enfrentar a vida, porque as mães tiveram que sair de casa para o mercado de trabalho. Já Menina do Interior lembra que na roça as meninas de oito anos precisam ajudar a criar seus irmãos.O GRANDE NERUDA, NO QUE ELE CONSIDERAVA SEU MELHOR LIVRO.Uma reedição. Um clássico, com todos os méritos,e não só da literatura hispano-americana.Muitos críticos o consideram um clássico também de toda poesia do século XX. Pablo Neruda, igualmente, via Canto Geral como o seu livro mais importante.Para começar, o Canto Geral (Bertrand Brasil, 602 páginas, R$ 52,00) é um livro atípico e representa uma reviravolta na poética de Neruda. Foi escrito em circunstâncias adversas, quando o poeta, por ser membro do Partido Comunista, sofria forte perseguição da polícia do presidente chileno González Videla, sendo obrigado a refugiar-se no exterior. Lançado em 1950, teve duas primeiras edições quase idênticas: uma oficial e pública, no México; e outra clandestina, no Chile. Canto Geral, obra de caráter enciclopédico, reúne os mais variados temas, gêneros e técnicas, dividindo-se em 15 seções e 231 poemas. O livro nasceu marcado pelo sofrimento, tendo o poeta externado, por intermédio dele, o seu grande amor tanto pelo Chile e por seu povo, quanto pelos povos oprimidos da América Latina. É uma obra que une o combate e a ternura.HISTÓRIAS DE MULHERES QUE DEIXARAM A SUA MARCA. CINQÜENTA MULHERES.Um livro iniciado pelo jornalista e publicitário Eduardo Castor Borgonovi, que faleceu em 2001, e concluído por sua filha, a arquiteta e também jornalista Lara Braun. Em Marias ? A jornada heróica de 50 mulheres que fizeram História (Alegro, 224 páginas, R$ 44,00), os dois reúnem as biografias (mini-biografias) de mulheres que, em épocas bem diferentes, mostraram a sua força e perseverança na luta contra preconceitos, perseguições e restrições.A idéia de Borgonovi, ao iniciar o livro, no ano 2000, era não se limitar apenas a dados biográficos e datas. Sua intenção era mostrar os dramas humanos, as lutas, dificuldades e conquistas dessas mulheres. E assim foi feito. Deixou prontas 30 histórias. Lara Braun deu continuidade ao trabalho e escreveu as 20 biografias que faltavam. ";Foi uma batalha diária de leitura, pesquisas e redação de textos que durou cerca de dois anos ? um período de muitas descobertas interessantes, que mudaram minha maneira de encarar a vida";, afirma ela.Outra característica da obra é que apresenta perfis só de mulheres estrangeiras. Numa entrevista concedida à Agência Estado, em 2000, Borgonovi explica que o fato de o Brasil ser muito jovem foi decisivo no momento de definir a linha de pesquisa. "; Faz pouco mais de cem anos que acabamos com a escravidão. Faz pouco tempo desde que as mulheres brasileiras começaram a ter direitos amplos";, explica ele.UMA HOMENAGEM À MILITÂNCIA POLÍTICA DA IGREJA CATÓLICA.Está de volta às prateleiras um pouco da História da ação política da Igreja Católica nos anos de chumbo da ditadura militar. Uma reflexão sobre o pensamento de Frei Carlos Josaphat, o dominicano. Aliás, dominicano, ator, construtor e filho da História, como o define, na orelha do livro, escrito por mais de quatro dezenas de mãos, o cardeal dom Paulo Evaristo Arns, Arcebispo Emérito de São Paulo.Um livro que começa com versos de dom Pedro Casaldáliga, bispo de São Félix do Araguaia:Querido e venerável e garotão Frei Carlos Josaphat, filho da senhora dona Emília, companheiro que sustenta a companheirada, conversador saboroso como um prato típico de Minas Gerais, exilado e cosmopolita, cidadão crítico e eclesiástico livre, intelectual orgânico do Reino, mestre espiritual, publicista profético, doutor em comunicação até para o Primeiro Mundo. Teólogo de cátedra e de chão, para suíços e para sertanejos.A organização do livro coube a Frei Beto, Adélia Bezerra de Menezes e Thomaz Jensen. Utopia Urgente (Casa Amarela, em parceria com a Editora da PUC, 565 páginas, R$ 49,00), uma homenagem aos 80 anos de Frei Carlos Josaphat, reúne três tipos de matéria: a) ensaios que falam de sua obra, composta de livros publicados no Brasil e no exterior; b) os seus assuntos mais caros, como a justiça social, Mística e engajamento, teologia feminista, comunicação social, direitos humanos, estudos bíblicos e ética; c) duas longas entrevistas concedidas por ele, uma delas a Frei Leonardo Lucas Pereira.. Os textos destacam também a sua atuação política, principalmente nos anos 60, quando esteve à frente do jornal Brasil Urgente. Sua proposta como jornalista, segundo recordam os organizadores do livro, era na linha do mais autêntico profetismo bíblico, ou seja, ";a verdade, custe o que custar; a justiça, doa a quem doer";.UMA HOMENAGEM A VAN GOGH, NOS 150 ANOS DE SEU NASCIMENTO.Um livro que reúne três nomes marcantes: o personagem, o pintor holandês Vincent Van Gogh (1853-1890); o autor, Antonin Artaud (1896-1948), diretor de teatro francês; e o tradutor, o poeta e crítico de arte brasileiro Ferreira Gullar. Van Gogh ? O Suicida da Sociedade é, como o apresenta a editora, um pequeno ensaio sobre o artista genial, mas nele estão belas ilustrações da obras que o holandês criou. Publicado em 1947, alguns meses antes da morte de Antonin Artaud, o livro mereceu elogios da crítica e recebeu o Prêmio Saint-Beuve de ensaios, em janeiro de 1948.Em seu livro (José Olympio, 104 páginas, R$ 28,00), Artaud é infático: ";Não, Van Gogh não era louco. Ou então ele o era no sentido desta autêntica alienação que os psiquiatras querem ignorar. Uma sociedade que confunde escrita com texto, e que taxa de loucura visões exorbitadas de seus artistas e sufoca seus gritos no papel impresso. Foi assim que calaram Baudelaire, Edgard Alan Poe, Gerard de Nerval e o impensável conde de Lautréamont.";

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.