DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Racha enfraquece grupo Procure Saber

Posições de Caetano e Chico expõem divergências com a de Roberto, e estratégia não deve ser mais autorização prévia

Julio Maria, O Estado de S. Paulo

05 de novembro de 2013 | 21h48

A atual desarticulação do grupo Procure Saber, que tem como presidente Paula Lavigne e como associados Roberto Carlos, Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Erasmo Carlos e Djavan, deve enfraquecer a defesa das intenções do grupo artístico nas duas votações prestes a acontecer sobre o tema, no Congresso Nacional e no Supremo Tribunal Federal (STF). Com os rachas internos expostos nos bastidores e em um artigo que Caetano Veloso escreveu ao jornal O Globo, no último domingo, o grupo deve apostar em outra estratégia: sai a briga pela autorização prévia, entra a batalha pela preservação da intimidade.

“A discussão da autorização prévia está totalmente ultrapassada”, diz o advogado de Roberto Carlos, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. Questionado sobre o artigo de Caetano no domingo, dizendo que ele não estava autorizado a falar pelo grupo Procure Saber, Kakay ironizou. “Eu fiquei feliz por ter sido lembrado pelo Caetano Veloso, por ele lembrar de meu nome. E, de fato, ele está certo. Não respondo pelo grupo, respondo apenas pelo meu cliente, Roberto Carlos.”

Para o biógrafo de Roberto Carlos, Paulo Cesar de Araújo, o disparo de Caetano atinge o articulador das intenções do projeto na Câmara dos Deputados, onde está prestes a ser votado (para liberar as biografias de autorização prévia). “Essa desarticulação pode enfraquecê-lo.” Caetano deixou o mal-estar claro em seu artigo. “Roberto Carlos só apareceu agora, quando da mudança de tom. Apanhamos muito da mídia e das redes, ele vem de Rei”, escreveu no jornal. A coluna Radar, do site da revista Veja, trazia ontem outro bastidor confirmando o racha. Chico Buarque estaria também insatisfeito com o rumo da prosa. Sua solidariedade a Roberto Carlos teria sido a causa de sua adesão ao Procure Saber. Mas duas reações do Rei – primeiro a de não ir para o confronto quando todos apanhavam e depois a de adotar um tom conciliador perante a pressão social – teriam frustrado e aborrecido Chico Buarque.

No Congresso, o assunto biografias só espera a votação do Marco Civil da internet, tema que tranca a pauta da Casa há duas semanas por ter caráter de urgência. “Aguardamos esta votação para o projeto de lei das biografias entrar na pauta”, diz o deputado federal Newton Lima (PT-SP), autor do projeto. Na tarde de ontem, o Congresso definiu que só votará o Marco na semana que vem. Portanto, pelo menos mais duas semanas para a votação das biografias. Já a Ação de Inconstitucionalidade movida pelos editores será objeto de uma audiência pública no STF nos dias 20 e 21 de novembro. Depois disso, o STF marcará o dia do julgamento.

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