'Raça': primeiros passos na direção da igualdade

Joel Zito Araújo é um cineasta preocupado com a discriminação racial no Brasil. Sua obra gira em torno do tema, em obras documentais como A Negação do Brasil (livro e filme, sobre a invisibilidade do negro na dramaturgia brasileira) e ficcionais, como Filhas do Vento, vencedor de oito kikitos em Gramado. Seu novo trabalho, Raça, feito em parceria com a documentarista norte-americana Megan Mylan, vai na mesma linha.

LUIZ ZANIN ORICCHIO, Agência Estado

17 de maio de 2013 | 12h01

Raça elege três pontos de vista para convergir na discussão do mesmo problema. No primeiro, acompanhamos os dez anos de luta parlamentar para aprovar o Estatuto da Igualdade Racial. No segundo, a batalha dos moradores do Quilombo de Lizarinho para evitar que uma multinacional se apodere de suas terras. No terceiro, a saga da implantação da TV da Gente, veículo de comunicação cujos dirigentes e funcionários eram, em sua maioria, negros.

Os segmentos narrativos se interligam e se alternam ao longo do documentário. E cada um possui uma espécie de condutor, nessa que é uma luta coletiva por direitos. No plano político, o destaque é do senador Paulo Paim, em suas negociações pela aprovação do Estatuto. Entre os quilombolas, a carismática Dona Miúda. E, na luta pela implantação da TV, o cantor Netinho de Paula.

Raça é um exercício de cinema direto, com as câmeras acompanhando os personagens durante vários anos. Ou seja, a ideia de base é captar não um resultado alcançado, mas um processo feito com muita dificuldade e que raramente evolui em linha reta. Pelo contrário, como são muitas as resistências, esses personagens veem-se obrigados ora a negociar, ora a pressionar, ou arrumar aliados às vezes inesperados para fazer com que suas causas andem.

RAÇA - Direção: Joel Zito Araújo e Megan Mylan. Gênero: Documentário (Brasil/2012, 104 minutos). Classificação: 12 anos.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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