Questionando o poder do artista

Destaques da década realçam o espiritual, o lúdico, a luz, as fantasias pessoais

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2010 | 00h00

"Arquitetura é o que você faz dela enquanto a observa; pensou que ela estava na pedra cinza ou branca? Ou nas linhas dos arcos e das cornijas?", escreveu, no século 19, o poeta Walt Whitman, em seu épico Folhas de Relva.

Boa parte dos arquitetos que pontificaram na última década, Zaha Hadid, Rem Koolhaas, Paulo Mendes da Rocha, Daniel Libeskind e Norman Foster, demonstrou conhecer o significado dos versos de Whitman. Suas obras contêm uma reflexão sobre a condição humana, mais do que sobre a vaidade humana. "Esses edifícios menos exibidos, respeitosos dos locais onde foram construídos e até inspirados por eles, são prova das maravilhas de que é capaz a imaginação, e não do alcance ilimitado dos recursos financeiros", escreveu Jonathan Glancey no Guardian, acerca dessa nova inspiração da arte.

"É impossível fazer prédios apenas pelo poder solitário do arquiteto. Só é possível criar uma arquitetura verdadeiramente poderosa e inspiradora quando a paixão dos trabalhadores, o entusiasmo do cliente ou da comunidade e a criatividade e imaginação dos autores do projeto se unem na mesma vontade", disse, em entrevista a Daniel Piza, o arquiteto japonês Tadao Ando, mestre contemporâneo.

Ao receber o Pritzker em 2007, o arquiteto britânico Richard Rogers disse: "Um bom planejamento urbano implica dar atenção tanto aos espaços entre os edifícios como aos próprios edifícios. Ruas, parques, praças e calçadas bem projetados representam a síntese da vida urbana. Tornar ruas mais atraentes melhora a qualidade de vida e a segurança: ruas movimentadas se autopoliciam. Os cidadãos poderiam desfrutar de espaços públicos de toda sorte, dos pequenos jardins às praças, parques e periferias rurais facilmente acessíveis a pé ou por transporte público."

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