Aline Arruda/Divulgação
Aline Arruda/Divulgação

''Quero ser boa, não preciso ser a melhor''

Fabiula Nascimento só precisa de uma novela das 9 para explodir

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2011 | 00h00

No Rio, durante o carnaval, Fabiula Nascimento aproveitou para ir ao cinema. Impressionou-se com Cisne Negro - e viveu na pele a obsessão da bailarina Natalie Portman pela perfeição -, mas ainda esperava assistir a O Discurso do Rei, mais do que tudo pela interpretação de Colin Firth. Está numa fase de relativa tranquilidade. Logo-logo, entra na pauleira de Força Tarefa. E, no segundo semestre, filma de novo. Será a protagonista de Dores de Amores.

Sua trajetória de atriz tem um antes e depois de Estômago. Como foi fazer o filme do Marcos Jorge?

Foi uma experiência única. Fazia muito teatro no Paraná, principalmente peças infantis, que me permitiam variar bastante. Num dia era a fada, no outro, a bruxa. Sempre gostei disso. O Marcos me viu no teatro, me assinalou e me falou na possibilidade de um papel. Mas ele, inicialmente, queria fazer o filme com Matheus Nachtergaele e Guta Stresser. Terminou fazendo com João Miguel e comigo. Não sei se ficou melhor, nunca saberemos, mas o sucesso foi decisivo para todos nós. As coisas aconteceram rapidamente. Virei atriz de cinema e TV, sem deixar o teatro. Mudei-me para o Rio, porque sou contratada da Globo.

E o Bruna?

Marcus Baldini começou a falar do filme em 2007. Fiz um teste, depois a coisa parecia que tinha morrido. Em 2009, ele me chamou para fazer a Janine. O Marcus contratou Sérgio Penna para ser instrutor de elenco. Nunca havia trabalhado com essa figura, que é tão polêmica. Mas o Sérgio foi um gentleman. Ele não nos preparava para a cena. Ele nos deu chaves para a compreensão das personagens. Entrevistei garotas de programa, mas a construção da personagem não veio daí. Como parte dos preparativos, Marcus e Sérgio nos puseram, todas as garotas, vivendo juntas no mesmo apartamento. Foi ótimo.

Janine é a p... mais tradicional do filme. É sexy, barraqueira, tem um filho, uma série de estereótipos. Foi difícil de fazer?

A reação do público me surpreendeu. Tenho timing de humor, faço comédia, mas a Janine, como você diz, tem muito de estereótipo. Seria fácil transformá-la numa paródia de si mesma. Não era o caso. Marcus e Sérgio queriam outra coisa, a humanização da Janine. Fui por aí e, por isso, nas pré-estreias fiquei desconcertada, no começo, com as reações da plateia. As pessoas riam. Só depois me dei conta de que tudo tem um tempo no filme. As pessoas riem com a Janine, com a Raquel, que vira Bruna. Mas também respondem bem no drama, quando a Janine, por exemplo, é acusada de roubo e berra sua inocência.

Em Amor?, você muda o tom e troca suas personagens sexys por uma lésbica. Como foi?

E quem disse que, por ser lésbica, ela não pode ser sexy? Amor? foi um dos trabalhos mais interessantes da minha carreira. O João (o diretor João Jardim) ficcionalizou o tema da violência doméstica fazendo com que nós, atrizes, trabalhássemos sobre depoimentos de mulheres que realmente sofreram o problema. Eu interajo com Sílvia Lourenço. É um filme muito elaborado e, ao mesmo tempo, tem uma urgência enorme, porque o tema é social, atinge muita gente. Estreia em abril. Espero que tenha repercussão.

Você tem feito o que os críticos definem como cinema de autor (Estômago), blockbuster (Bruna Surfistinha). Tem diferença?

Sou atriz. Fiz, como disse, muito teatro infantil e não creio que o fato de estar trabalhando para crianças fosse desabonador do meu trabalho, que eu devesse fazer teatro adulto para provar do que sou capaz. Estômago foi uma experiência incrível, mas Bruna também foi bacana. Força Tarefa tem sido muito estimulante. Havia feito um filme com José Alvarenga e ele me recrutou para a série. O Zé é impressionante. Sabe tudo de cinema, de TV. Conhece técnica como poucos, mas também sabe que a TV é rápida, uma fábrica e o ator pode ajudar a fazer a diferença.

Você já é identificada pelo público?

As pessoas me pedem para tirar foto, autógrafo, mas vejo que não sabem direito quem eu sou. Pra ficar bem conhecida, tem de fazer novela das 9. Nem a das 6 nem a das 7 ajudam tanto. A chave é um bom papel na novela das 9. Vou fazendo bem minhas coisas. Não quero ser uma estrela nem a melhor. O que me basta é que as pessoas me achem bacana e acreditem no meu trabalho.

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