'Quero seguir sendo rapper'

Se o pessoal do rap souber aproveitar, não é este o momento em que todos eles poderiam

O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2011 | 03h08

dar certo?

Assim como os anos 90 era o momento para o pagode e deu no que deu. É preciso cuidado. Temos de aproveitar, mas sem perder a consistência. Tudo o que foi construído não foi pensado em termos de retorno financeiro.

Falar que você e Criolo fazem rap não é reduzi-los a um formato do qual já se libertaram?

É importante que mesmo com essa evolução natural no gênero nós sigamos sendo rappers. Chegar aos lugares como rapper é necessário, até porque a nossa essência é a favela, os dilemas da periferia.

Mas o rap tradicional não acabou se perdendo em seu discurso?

A morte do Sabotage (2003), foi um baque. A gente ficou perdido. Disse uma vez que não se faz rap bom sem ódio. Quis dizer que aquele era um combustível para se criar, mas não o único. No início, antes do gangsta (o rap de protesto mais radical), o que existia era o rap de festa.

Fazer um disco de samba, usar banda de rock, enfim... Sem policiamentos ideológicos não fica mais fácil mostrar quem é o Emicida além das rimas?

É o que quero fazer. Tenho tudo a ver com o samba e tem um pessoal aí querendo me puxar para isso. Nada me impede de fazer essas misturas. Para falar a verdade, estou cansado de umas coisas. Tenho estudado a rima para colocar acentos em lugares diferentes mesmo.

O rap se alimenta dos dilemas. Então, o que seria melhor: um país em que tudo funcionasse e, logo, em que não existisse rap, ou um país errado com rap?

Não dá para existir um país

fantástico com um rap livre?

E isso seria possível?

Claro, o meu rap é assim. / J.M.

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