'Quero convocar resposta coletiva na marquise'

A seguir, a artista Susan Phillipsz fala sobre a 29.ª Bienal de São Paulo e sobre sua trajetória.

Camila Molina, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2010 | 00h00

Em suas obras, você pode criar tanto versões de músicas populares quanto canções políticas. O que pensa do tema desta Bienal de São Paulo, a relação entre política e arte ou "política da arte"?

Acredito que seja um tema muito interessante e pelo qual me identifico. Há muitos aspectos políticos na prática da arte e acho que é muito relevante. E não é sempre tão óbvio assim. Por exemplo, instalar minha obra na marquise pode ser considerado um ato político, porque intervem em um espaço público e pede para ser considerado ao longo dos eventos dos dias. Penso em escolher com cuidado o local exato para que o trabalho possa convocar uma resposta coletiva e para que cada um possa tirar algo dele. Como artista, acredito que é melhor ser mais ambígua e menos didática a respeito da política.

Você tem alguma relação com o Brasil ou com a cultura brasileira?

Acho o Brasil um lugar fascinante do que sei do país. O Brasil tem uma história inacreditável e é muito multicultural, comparado a Berlim, onde vivo. Quando visitei São Paulo, fiquei tomada pela incrível energia que há naquela marquise, no Ibirapuera. A cidade parece tão viva, apesar da selvageria da modernidade estar tão presente nela. Há uma dicotomia estranha que me agrada.

Em quais projetos, além da Bienal de São Paulo, você está trabalhando atualmente?

Estou desenvolvendo uma obra comissionada pelo Artangel (programa inglês) para um espaço público em Londres, que vai coincidir com a exposição dos finalistas do prêmio Turner na Tate (em dezembro). Vou inaugurar, ainda, em agosto, uma obra permanente com o Museu de Arte Moderna de Varsóvia para o Parque de Escultura Brodo.

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