''Queria que o rap não fizesse sentido por lá''

Nos anos 90, era comum críticos fazendo a pergunta: "Como o rap chegou a São Paulo?" Os antropólogos logo perceberam que o que havia era um processo de identificação com a música por conta de rappers que viviam em seu cotidiano situações parecidas com as retratadas no rap americano.

Spensy Pimentel, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2011 | 00h00

O Brô expressa um processo mais amplo de chegada do rap aos jovens das aldeias. O cotidiano de um jovem guarani, hoje, envolve a convivência com um alto índice de assassinatos e a luta contra a desesperança.

A raiz de todos os problemas é a falta de terras. Os guarani-caiovás passaram por um processo de confinamento ao longo do século 20. O que nós, antropólogos, temos denunciado na região é um genocídio e uma crise humanitária que exige a atenção de todo o País.

Se o Brô faz com que mais gente preste atenção ao que se passa por lá, tanto melhor, mas eu preferiria que o rap não fizesse sentido para eles, que a realidade fosse tão tranquila que os Racionais não tivessem nada a dizer aos jovens guarani-caiovás. Mas fatos são fatos.

Spensy Pimentel é pesquisador do Núcleo de História Indígena e Indigenismo da Usp

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