Quem vai bancar?

Antonio Loureiro toca com Siba e conta com o público para financiar seu CD

LUCAS NOBILE, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2011 | 03h08

Palmilhando um terreno ainda obscuro no que diz respeito não apenas à remuneração, mas também em relação aos modos para obterem recursos para gravar um disco, muitos músicos têm recorrido ao crowdfunding. O esquema, na moda nos dias de hoje, é aquele em que o público investe no artista e depois ganha recompensas, como CDs, ingressos para shows e outras regalias. Seguindo esse caminho, o multi-instrumentista Antonio Loureiro inscreveu seu projeto no site Catarse para tentar financiar o segundo álbum de sua carreira.

Apesar da pouca idade, credenciais não faltam para apresentá-lo. Aos 25 anos, Antonio Loureiro lançou um disco homônimo em 2010, contando com participações de nomes como Fabiana Cozza, André Mehmari, Luca Raelle, Marcelo Pretto e Quinteto Sujeito a Guincho. Além disso, já se apresentou em palcos com Criolo, Kiko Dinucci, Lula Alencar, Laura Lavieri, DJ Marco - no projeto Na Mira da Música Brasileira - e também com gente como Toninho Horta, Ná Ozzetti e Benjamin Taubkin. Atualmente, o instrumentista e compositor também forma um duo com o excelente violinista Ricardo Herz e ainda toca teclado e vibrafone na banda de Siba, que lança seu aguardado disco no começo de 2012.

Mesmo com pouco tempo de estrada, Antonio já tem registro com o grupo Ramo e, atualmente, dá conta do vibrafone no Rumos Música Coletivo, do Itaú Cultural, ao lado de Rodrigo Campos (consultoria), Arismar do Espírito Santo (bateria e baixo), Chico Corrêa (guitarra e programação), Tiago de Moura (guitarra) e Zé Jarina (voz).

Embora esteja com as vibrações concentradas em dar vida ao seu disco autoral, Antonio segue tocando o barco com oficinas musicais e com shows, como o que realiza hoje na Casa do Núcleo (ver quadro abaixo), no projeto batizado de Minas na Casa. Assim como em seu primeiro álbum, o músico tem sua sonoridade carregada de influências e características de uma estética particular das Gerais, mas seria simplista classificá-lo apenas como um expoente da nova geração mineira.

Antonio vive em São Paulo há um ano e meio. Na cidade, ele tem conseguido mais oportunidades e reconhece a opção pelo crowdfunding como uma saída para as dificuldades encontradas por ter deixado Belo Horizonte. "Por não residir mais lá, não consigo ser incentivado em Minas. Eu sempre participei de fóruns de discussão e gostaria que a lei de incentivo fosse modificada. Ela é um veneno e vicia a cultura do Estado. É a TV emburrecendo e a lei de incentivo viciando. Eu consegui fazer o meu primeiro disco porque vendi meu carro. O Catarse é uma revolução para mim. Pode ser arriscado e eu não conseguir o dinheiro que preciso, mas vejo como um incentivo à cultura do País", diz o multi-instrumentista.

Faltando pouco mais de um mês para esgotar o prazo de doações do público, Antonio conseguiu captar R$ 4.860 dos R$ 12 mil necessários para gravar seu disco. No site, as pessoas se informam sobre a carreira do artista e os benefícios que vão obter de acordo com a quantia investida.

Sonoridades futuras. Sempre na base da colaboração, o primeiro álbum de Antonio contou com um time de primeira no instrumental e nos vocais. No próximo CD, a sonoridade e as opções estéticas devem seguir um novo caminho, a começar pela opção do músico de gravar sozinho diversos instrumentos. "Não é uma questão de eu tocar melhor, mas de que eu sei exatamente o tipo de som que eu busco no momento", explica.

Capacidade e aptidão para ele "jogar nas onze" não faltam. Formado em percussão erudita pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Antonio passou a ser reconhecido em São Paulo tocando vibrafone e, em Minas, bateria. No primeiro disco, ele já tocava os dois instrumentos, além de violão, glockenspiel, marimba, piano, rhodes, entre outras coisas.

No próximo trabalho, com lançamento previsto para o primeiro semestre de 2012, isso deve se acentuar, com ele novamente cantando e mostrando seus temas emotivos. "Busco evoluir em todos os instrumentos, mas sou compositor, no fim das contas. Já tenho todos os temas deste novo trabalho compostos. Devo gravar dez deles. A ideia é balancear o disco com música instrumental e canção", comenta.

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