Alex Carvalho/TV Globo
Alex Carvalho/TV Globo

Quem matou Saulo?

Passione termina hoje na Globo, mais uma vez com o recurso da revelação do assassino em trama policialesca de Silvio de Abreu

Patrícia Villalba, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2011 | 00h00

Quase como um assassino meticuloso de romance policial, Silvio de Abreu bolou um plano, há mais de um ano, enquanto subia a estrada do Guarujá a São Paulo. Durante oito meses, manteve-se firme, executando cada etapa, talvez com pequenos desvios, mas sem se afastar da espinha dorsal da história. No fim das contas, caminha hoje para um "crime perfeito" - prendeu a audiência e transformou Passione em um dos assuntos mais comentados dos últimos dias. Depois de alguns percalços, a trama alcançou 54 pontos de audiência na segunda-feira, melhor média desde o fim de Caminho das Índias, em 2009.

Sem preguiça e sem fazer concessões, levou a novela em fases e criou falsos atalhos. Prendeu a vilã, soltou, pôs para trabalhar, simulou redenção e brincou de esconde-esconde com o telespectador - a quem manipulou mais de uma vez.

Fez isso logo no começo, quando usou os campos da Toscana para emoldurar o romance de Clara (Mariana Ximenes) e Totó (Tony Ramos). Tudo conspirava para que o telespectador passasse a torcer pela regeneração da vilã, o que de fato aconteceu. Mais tarde, lá pelo 100.º capítulo, Silvio promoveu uma reviravolta na trama e deu redenção fingida à malafemmena. Ao enganar a todos - até Mariana Ximenes jura que não sabia de nada -, livrou Totó da pecha de ingênuo e preservou a imagem do seu protagonista. Coisa de autor que tem domínio invejável do seu ofício.

Em outros momentos, é verdade, Silvio não se fez entender como gostaria. Caso do "segredo do Gerson" (Marcello Antony), que via imagens misteriosas no computador. Criou-se tanta expectativa que quando, enfim, soube-se que ele era um tarado virtual inofensivo, a vaia foi grande. Ao que parece, o público esperava por algo mais picante.

Sempre disposto a discutir sua novela, é marca registrada do autor o talento para plantar dúvida nas entrevistas que concede. Na ocasião da morte de Saulo (Werner Schunemann), escreveu cinco cenas de assassinato, envolvendo cinco vítimas diferentes. O objetivo principal era despistar a imprensa, mas o trabalho multiplicado acabou virando uma ação para promover a novela no Fantástico.

No mesmo programa, no último domingo, Silvio contou que o vigarista Fred (Reynaldo Gianecchini), depois de sair da prisão, receberia a visita de quatro personagens. Um deles deixaria no apartamento dele a faca com que Saulo foi morto, para ser encontrada pela polícia - esse personagem é a peça que faltava no quebra-cabeças, uma vez que o autor já entregou que quem matou Saulo é o mesmo que envenenou Eugênio (Mauro Mendonça) no primeiro capítulo. Foram lá Clara (Mariana Ximenes), Gerson (Marcello Antony), Laura (Adriana Prado) e Danilo (Cauã Reymond). Quem acompanha o trabalho do autor sabe que só pode apostar em Clara. Mas, como se sabe, em novela tudo pode acontecer.

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