Quem matou Lineu? Elementar, meu caro Braga!

Quem matou Lineu? Para responder à pergunta que ultimamente tem pautado conversas de botequim, o O Estado de S.Paulo ouviu especialistas na área criminal - e que assistem à novela Celebridade -, para tentar eleger assassinos em potencial. Personagens que, numa situação da vida real, estariam na mira das investigações. Renato Mendes (Fábio Assunção), Beatriz (Deborah Evelyn) e sua secretária Olga (Cristiana Amadeu) encabeçam a lista dos suspeitos. De qualquer jeito, se servir como pista, a Assessoria de Imprensa da Globo informa que os atores convocados para gravar hoje o final da morte de Lineu são, além de Hugo Carvana (o Lineu): Corina (Nivea Maria), Renato (Fábio Assunção), Marcos (Márcio Garcia), Beatriz (Deborah Evelyn), Laura (Claudia Abreu) e Ana Paula (Ana Beatriz Nogueira). Só esses. Segundo o delegado e vereador Celso Jatene, ele adotaria três linhas de investigação. "A primeira seria a filha Beatriz, que num momento de desequilíbrio emocional teria cometido o crime. O Renato faria a segunda linha e o motorista Caetano, a terceira." Jatene, no entanto, faz um adendo: "O delegado (interpretado por Jairo Mattos) não tem uma linha para investigar o caso e parece não precisar cumprir prazos." Produtor do filme policial Bellini e a Esfinge, Teodoro Fontes sai em defesa: "Gilberto Braga fez um grande novelão. É maravilhoso poder estender a trama em torno do crime por meses, para prender a atenção do público. Já num filme, com duas horas, não dá para ter tantos suspeitos." Para o investigador Luiz Carlos dos Santos, a história policial do folhetim é meio glamourosa, superficial. Ele concorda que, num caso de homicídio, pode existir um amplo leque de suspeitos. "Mas com o avançar da investigação, ele passa por um ´afunilamento´, diferente do que se vê em Celebridade", diz. Se fosse um crime real, Santos fixaria suas atenções naqueles que teriam interesse direto no assassinato, motivados por dinheiro ou vingança. Figuras da estirpe de Renato, Beatriz, Fernando ou Corina, portanto, não teriam escapatória. Seu colega, o também investigador Cláudio Scapulatiello, acha que Braga preferiu não mostrar o trabalho de investigação, para o público não tirar suas conclusões. "No dia da morte, não houve perícia, reconhecimento da arma, o trabalho técnico." Para ele, Renato é principal suspeito, já que estava de olho na presidência da empresa do tio. "Mas não vai ser ele: será quem a gente menos espera." Preparada para possíveis traquinagens do autor no último capítulo da novela, a delegada Ana Lúcia Santos dividiu seus suspeitos em dois grupos: um deles foi pensado a partir de seus conhecimentos de Direito e outro, a partir de seus conhecimentos de noveleira. "Como profissional, meu suspeito número um seria Renato, pois ele queria o cargo da presidência e combina com o caráter dele esse tipo de atitude. O número dois seria a Beatriz, que ficou desnorteada quando foi traída e, depois, descobre que a amante do marido é sua irmã e o pai pretende colocá-la no testamento." Já sua lista de mera telespectadora traz nomes como Inácio e Ana Paula. "É que a TV trai muito a gente; às vezes, o autor tira um culpado do nada. E aí, Renato ou Laura são óbvios." Para Ana Lúcia, o culpado contou com a cumplicidade dos personagens Olga e Caetano. A detetive particular Juliana Belém compartilha dessa opinião. E criou toda uma teoria sobre o caso, usando como respaldo seus oito anos de profissão: acha que Beatriz, inconformada em ter de dividir a herança com arquiinimiga Maria Clara, mandou matar o pai. O executor teria sido motorista Caetano, que teve ajuda de Olga. "Como secretária, Olga tinha todas as chaves do escritório, para facilitar o acesso dele", analisa. O advogado criminalista Eduardo César Leite levanta até a hipótese de que Braga surpreenda o público com um homicídio acidental. O culpado não tinha intenção de matar, mas a arma acabou disparando. "Toda a imoralidade foi exercida ao longo da novela. Durante todos os capítulos, o mal se dá bem e o bem se dá mal. E no final, o autor vai mostrar que o mal não vale a pena. Falso moralismo Estudioso de Gilberto Braga, Lisandro Nogueira, que escreveu o livro O Autor na Televisão, afirma que Braga incorporou elementos ousados à telenovela melodramática, ao discutir temas éticos, sociais e políticos, até O Dono do Mundo, em 1991. Nessa novela, Nogueira diz, ele ousou muito e a audiência caiu. Braga ficou fora do horário das 8 durante anos. "Depois disso, seus sinais autorais desapareceram. Em Celebridade, tinha tudo para ousar e ser ´politizado´, mas colocou tudo isso por terra."Leia maisO fim da novela que discutiu a famaRenato sai da lista dos suspeitos de "Celebridade""Quem matou Lineu?" é o assunto da semanaAté o ministro Gil canta no final de "Celebridade"Mistério de "Celebridade" será revelado dia 25Renato Mendes dá a volta por cimaLaura morre no fim de "Celebridade", diz jornal

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