Fábio Motta/AE
Fábio Motta/AE

Quem faz arte no País

Com 108 obras de 45 artistas, Convite à Viagem, no Rio, exibe a diversidade da produção nacional contemporânea

Heloisa Aruth Sturm / Rio, O Estado de S.Paulo

22 de março de 2013 | 02h12

Representações artísticas dos quatro cantos do País estão reunidas no centro do Rio de Janeiro para mostrar a diversidade da produção nacional contemporânea. A mostra Convite à Viagem, em exibição no Paço Imperial, é um mosaico com 108 trabalhos de 45 artistas brasileiros, a maioria jovens, que entraram em cena a partir do ano 2000.

"É uma exposição marcada pela variedade, e o leque de escolhas corresponde à diversidade poética que temos em curso no País", afirma o curador-geral da mostra, Agnaldo Farias. Nesta tarefa, ele teve ajuda dos curadores Gabriela Motta, Paulo Miyada, Ana Maria Maia e Felipe Scovino. Mas também houve a participação dos curadores-viajantes Matias Monteiro, Júlio Martins, Luiza Proença, Alejandra Muñoz, Vânia Leal, Marcelo Campos, Sanzia Pinheiro e Carlos Franzoi, que, no ano passado, pelo Brasil afora, utilizaram ônibus, carro, barco, avião em sua busca dos artistas que produzem a arte contemporânea.

As obras foram selecionadas por essa equipe, que saiu a campo visitando todas as capitais e outras 90 cidades brasileiras para divulgar o projeto, sentir o pulso da cena artística local e convidar os artistas a participarem de um edital do programa Rumos Itaú Cultural Artes Visuais, responsável por selecionar estas entre mais de 1,7 mil obras inscritas em todo o Brasil.

Não há prevalência de uma linguagem na mostra: as obras espalhadas pelo segundo andar do Paço formam uma espécie de labirinto e contemplam pintura, objeto, instalação, filme, fotografia, desenho e performances, inclusive musicais, como as do carioca Pontogor e do gaúcho Guilherme Dable. "Quem vier aqui vai ouvir o som através dos desenhos", diz Dable, que cria os traços em papel-carbono, enquanto toca instrumentos musicais: o atrito das cordas e a batida na percussão formam os contornos das ilustrações. "São uma espécie de pegada de um percurso", explica ainda.

Um dos trabalhos mais vigorosos é o da paraense Berna Reale, que recorreu à tragédia grega de Ésquilo e trouxe uma representação de Prometeu Acorrentado que funciona ao mesmo tempo como uma evocação do perecimento do ser humano. Trabalhos mais metafóricos, como o do paulista Guilherme Teixeira atirando setas no vazio, ou líricos, como as pinturas de Ueliton Santana inspiradas na abundância e na vitalidade da floresta amazônica, somam-se a obras que desafiam os limites entre as plataformas visuais.

É o caso da série Retratos Íntimos do baiano Fábio Magalhães, um tríptico de óleo sobre tela que mais parece fotografia e mostra corações feitos de tripas, da obra Passagem Secreta, da brasiliense Luciana Paiva, que desenvolve as relações entre palavra, imagem e livro, e das instalações de Thiago Honório e Daniel Murgel, que intrigam o espectador.

O curador também destaca obras com tecnologia mais sofisticada, como as de Cristiano Lenhardt, Luiz Roque e Regina Parra, e trabalhos urbanos como os de Carla Evanovitch, Grupo GIA e Íris Helena. "Em um dos trabalhos, eu faço uma brincadeira de transformar o monumento em algo micro, e no outro trago imagens de locais públicos de várias cidades, que são impressas em lembretes e não remetem a um lugar específico, mas a qualquer lugar", informa Íris.

Para Farias, o projeto não se pauta somente na difusão da produção emergente, mas também na parceria e no estímulo a essa produção. "Não há mais uma ou outra vertente, e isso espelha o que está acontecendo lá fora", afirma o curador. "O que há hoje é um desmembramento, uma atomização, uma explosão de linguagens que frequentemente se interpenetram." A exposição é gratuita e vai até o dia 19 de maio.

CONVITE À VIAGEM - RUMOS ARTES VISUAIS 2011/2013

Centro Cultural Paço Imperial

Pr. XV de Novembro, 48, (21) 2215-2622.

3ª a dom., 12/18h. Grátis. Até 19/5.

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