Quem é a academia?

Entre os quase 6 mil votantes, 95% são brancos; destes, 77% são homens com mais de 60 anos

FLÁVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2012 | 03h10

Os cinéfilos antenados já estão há semanas fazendo suas previsões e apostas sobre os vencedores do Oscar 2012, cuja cerimônia de entrega ocorre hoje, a partir das 22 h no canal a cabo TNT, que também exibe a passagem dos convidados pelo Tapete Vermelho do Kodak Theater. Como todo ano, há os favoritos, os de agora são A Invenção de Hugo Cabret, que lidera a disputa com 11 indicações, e o francês O Artista, com 10 indicações, e que mais colecionou prêmios pelo mundo até agora.

Mas como é que se fazem previsões o mais precisas possíveis? Nada como entender o eleitorado. E o que pouca gente sabe é que dos quase 6 mil votantes da Academia, a grande maioria é de brancos? Cerca de 94%. Aliás, 77% dos votantes são homens, brancos e na faixa dos 60 anos. Os votantes com menos de 50 anos representam só 14% do total.

Não é por acaso que todo ano se fazem as piadas: "Você acha que os velhinhos da Academia vão gostar de um filme com violência, sangue, politicamente incorreto?". A questão é que a piada perde a graça quando se tem a noção de que, em 84 anos, apenas 4% dos atores e atrizes indicados para o Oscar são de origem negra. Destes, só 12 foram premiados. A questão é tão séria em Hollywood que, em 1996, o famoso reverendo Jesse Jackson organizou um protesto contra a ausência de negros na Academia. De lá para cá, muita coisa mudou. Halley Berry foi a primeira negra a levar o Oscar de melhor atriz em 2002 por A Última Ceia. E em 2010 vimos finalmente uma mulher, Kathryn Bigelow, levar o prêmio de melhor direção e melhor filme por Guerra ao Terror.

Já no ano passado, entre os 45 candidatos à estatueta, nenhum era membro de nenhuma 'minoria'. Este ano já começamos melhor. Se levarmos em conta que um filme francês, mudo em preto e branco é uma 'minoria' favorita ao Oscar da indústria americana, que a favorita a melhor atriz é uma negra (Viola Davis, por Histórias Cruzadas), que promete bater as divas Glenn Close (Albert Nobbs) e Meryl Streep (A Dama de Ferro) e que outra negra, Octavia Spencer, também por Histórias Cruzadas, é a favorita a atriz coadjuvante, este parecer ser o ano das minorias.

E o fato de um iraniano, A Separação, ser considerado barbada para o Oscar de melhor filme estrangeiro? E de dois brasileiríssimos (Carlinhos Brown e Sérgio Mendes) concorrerem a melhor canção original (Real in Rio)? Ainda que produção norte-americana, Rio é responsável pela fatia do Brasil no Oscar 2012. Infelizmente, não foi indicado para melhor animação. A Academia parece não gostado tanto do trabalho do também brasileiro Carlos Saldanha. Já um outro representante de uma minoria, o cubano Chico e Rita, compete na categoria contra Rango, O Gato de Botas, Um Gato em Paris e Kung Fu Panda 2. É o representante do cinema latino deste ano.

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