Queens of Stone Age na era da maturidade

Volta ao País o grupo que revolucionou o hard rock na década

Jotabê Medeirosq, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2010 | 00h00

Há nove anos sem vir ao Brasil, volta em 9 de outubro, para o SWU Festival, um dos maiores nomes do rock mundial, o Queens of the Stone Age (Qotsa). Sua última vez no Brasil foi em 2001, durante o Rock in Rio, e houve um incidente: o baixista Nick Olivieri tirou a roupa durante o show e foi preso ali mesmo, no palco, por atentado ao pudor.

"Eu ainda não estava na banda, entrei naquele ano, mas é algo do qual todo mundo ri até hoje", disse ao Estado o guitarrista Troy Van Leeuwen. O retorno do grupo coincide com o relançamento, remasterizado, de seu disco mais festejado, Rated R (2000), que desafiou clichês do hard rock e injetou inteligência no peso - fundia as melhores contribuições de Stone Temple Pilots, Alice in Chains ao punk rock, de um jeito ao mesmo tempo pós-moderno e original.

Em 10 anos de carreira, muita coisa mudou. O peladão Olivieri deixou o grupo. A combinação "nicotine, valium, vicodin, marijuana, ecstasy, and alcohol...." deixou de ocupar o primeiro plano de sua trajetória. "Estamos melhores do que da primeira vez que o grupo veio ao Brasil. O foco agora é mais musical, os integrantes se esforçaram para se tornar músicos melhores, e para transformar o show numa experiência musical. Não se pode viver num tempo para sempre, senão você morre. Agora, direcionamos nossa energia mais para tocar, o que quer que isso signifique", garante o guitarrista.

Não que o Qotsa esteja "limpo", como na gíria das clínicas de reabilitação. Mas está se metendo menos em encrenca. E seu estilo de fazer rock contaminou a cena - desde o início, o grupo se especializou em aglutinar músicos de outras áreas em seus shows e discos, promovendo jams com gente como Dave Grohl, ex-Nirvana, Mark Lanegan, ex-Screaming Trees, e Rob Halford, do Judas Priest.

"É um espírito de comunidade, no qual você busca colaborar com seus pares, pessoas que você considera, das quais você é fã. É importante para nós, é daí que vêm as ideias que nos fazem crescer. Mas não é algo que planejamos, acontece naturalmente", explica Troy. Ele diz que, por conta disso, não há melindres quando os integrantes saem com projetos paralelos, como é o caso do cantor e guitarrista Josh Homme, que integra a superbanda Them Crooked Vultures. "É bom para todo mundo. Eu também tenho minha outra banda, a Sweethead. O Dean (Fertita, baixista, guitarrista e pianista) toca também com o Dead Weather. Traz novo oxigênio para o Queens", diz.

Segundo Troy, o álbum Rated R, considerado um dos maiores do rock pela crítica, é especial porque "quebrou um monte de regras", e explica: "Para mim, ele provou aquilo que estava na base do punk rock, que você pode fazer o que quiser, não há limites." diz. Não acha que haja um componente que liga o Qotsa ao heavy metal, como dizem alguns. "As raízes são o punk rock, não o metal. Tenho minha admiração pelo Slayer, por conta de sua interação com os fãs. Mas é como disse, há mais um espírito de comunidade. Eu penso que somos como aqueles caras do bebop, como Dizzy, Miles, John Coltrane. É uma música gregária."

Ele festejou o fato de tocar na mesma jornada do Rage Against the Machine. "Já tocamos outras vezes ao vivo em festivais em que eles tocaram. O que eles fazem com uma plateia é mágico. Nos discos, não gosto tanto. Mas, ao vivo, são monstros."

E quanto aos Pixies? "Eles foram muito influentes, e ainda são. Um amigo meu definiu os Pixies, uma vez, como "música lounge para velhos punks". Eu gosto disso, acho perfeito. É uma música com melodia, só que com pancadaria. Gosto muito." Troy Van Leeuwen diz que, como guitarrista, cresceu sendo "amamentado" basicamente pelo hard rock dos anos 1970, como Led Zeppelin, Black Sabbath, e mais tarde AC/DC. "Cresci ouvindo Jimmy Page, mas depois fui pegando gosto por coisas diferentes, como Bauhaus e Love and Rockets. Sempre admirei muito o estilo do guitarrista dessas bandas, Daniel Ash. Também gosto muito de Robert Fripp (do King Crimson). É um excêntrico, e um grande artista, embora de área diferente da minha."

SWU MUSIC & ARTS FESTIVAL

Fazenda Maeda. Itu (SP). Ingresso Rápido: site www.ingressorapido.com.br, call center 4003-1212 e 60 pontos de venda em todo País. R$ 210 a R$ 570.

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