Quatro jovens em busca do amor

A peça Trabalhos de Amores Quase Perdidos confirma boa fase do ator, diretor e dramaturgo Pedro Brício

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2011 | 00h00

Cinco peças, um elogiado filme e, possivelmente, um Prêmio Shell de dramaturgo na estante de casa. Quando 2011 terminar, e Pedro Brício chegar mais perto dos 40, ele terá vivido um ano e tanto. Não muito diferente dos que vêm experimentando desde que se afirmou, além de ator, como autor e diretor de teatro dos mais interessantes do País.

"Minha vida melhorou muito depois dos 30. Aos 20 e poucos, você tem muita ansiedade. Depois você tem o olhar mais crítico, à medida em que descobre que sua vida é o presente, e que não dá para ter tanto controle. A experiência de começar a escrever foi ótima para mim", conta Pedro - para quem só o vê em suas raras aparições na TV, apenas a lembrança de papéis como o dinamarquês da novela Beleza Pura, de três anos atrás.

As palavras que escolhe são para falar da última peça que estreou, Trabalhos de Amores Quase Perdidos, em cartaz desde sexta passada no Espaço Cultural Sergio Porto, no Rio. Nela, quatro personagens de menos de 30 anos, vividos pelo afinado quarteto formado por Branca Messina, João Velho, Lúcia Bronstein e Pedro Henrique Monteiro, interpretam amigos cúmplices, daqueles que passam Natal juntos e estão sempre às voltas com amores, dores, acasos, traições, idas, voltas e reviravoltas.

Entre o rapaz que não quer amadurecer, o outro que tenta ser "mais profundo" e a moça determinada, a discussão geracional se impõe. Comum a todos, o desejo de "deixar os dias menos comuns". "Foi legal ver atores mais jovens (entre 24 e 27 anos) se identificando com essa sensação de não se estar preparado, de ser amador diante da vida", conta o autor.

Você Precisa Saber de Mim, que Luiza Mariani, Gisele Fróes e Alexandre Nero levam ao Espaço Tom Jobim este sábado, ele divide com Jô Bilac, Vitor Paiva, Henrique Tavares e Rodrigo Nogueira, outros jovens que compõem este "mosaico autoral". A direção é de Jefferson Miranda.

Terror, texto inédito e impactante de João Paulo Cuenca integrado ao projeto do Sesc Nova Dramaturgia Brasileira, com direção de Pedro, teve poucas apresentações e deve voltar para uma segunda temporada. O projeto traz ao palco escritores que nunca experimentaram o texto teatral - além de Cuenca, Xico Sá, Joca Reines Terron e André de Leones. Em Terror, um casal de amantes (Nina Morena e João Velho) discute a relação em pleno 11 de Setembro de 2001, enquanto assiste pela TV ao esfacelamento das Torres Gêmeas, em Nova York, onde está o marido da personagem.

Já em O Menino Que Vendia Palavras, que entra em cena no mesmo Espaço Sesc dia 19, com Eduardo Moscovis no elenco, o trabalho de Pedro foi imprimir linguagem teatral ao livro de Ignácio de Loyola Brandão, em colaboração com a diretora, Cristina Moura e a atriz Mariana Lima.

O ano produtivo começou com a comédia Me Salve, Musical, pelo qual ele está indicado para o Prêmio Shell de melhor autor - ele já tem um desses, ganho há seis anos com A Incrível Confeitaria do Sr. Pelica, e outra indicação, também como autor, por Cine-teatro Limite (2008), louvadíssima pela crítica. A peça estreou no Rio em janeiro e viajou ao Festival de Curitiba, no qual Pedro também foi representado por Comédia Russa, mais um acerto deste ruivo carioca, montado lá pel"Os F... Privilegiados.

E, desafiando a lógica das salas de cinema, abarrotadas de fãs de Harry Potter e dos Smurfs, segue em cartaz o pequeno, instigante e intenso A Falta Que Nos Move, de Christiane Jatahy, que estreou em 1.º de julho. No filme, atua com quatro colegas. O grupo, que também assina o roteiro, foi filmado por treze horas contínuas e direcionados por mensagem de texto. Talvez seja por trabalhos como este que Pedro continua preenchendo fichas de hotel com o ofício que lhe veio primeiro: "Ator".

PARCEIROS

João Velho está em dois dos recentes trabalhos de Pedro Brício, como diretor apenas e na função dupla de autor e diretor. Em Terror, ele é o homem apaixonado que não quer deixar a amante escapar de seus braços, sem se preocupar com a iminência da possível Terceira Guerra Mundial, prenunciada pelos ataques terroristas que os dois veem pela TV. Já em Trabalhos de Amores Quase Perdidos, que se inicia numa "semana em que foram felizes para sempre", vê-se entre o amigo a quem não quer trair e a amiga por quem se reapaixona. O personagem sente-se angustiado por não ter um caminho definido. O ator se reconhece nessas inseguranças. "Como ator, se sofre com isso. Você não sabe se vai continuar. Hoje, tenho certeza do que quero fazer."

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