Quase metade do show do Noel é Oasis. No problem

Guitarrista britânico se apresenta para 6,3 mil pessoas

O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2012 | 03h08

Imagine que a dupla Victor e Leo tenha se separado, e logo depois ambos tenham vindo tocar em São Paulo. Obviamente, Victor, que é o compositor e músico do duo, vai fazer um show mais profissa: seus músicos serão bem escolhidos (não será só por brodagem que subirão ao palco); suas canções serão bem tocadas; o repertório será mais bem conduzido; e até os roadies serão mais profissionais.

Bem, essa comparação é obviamente uma provocação para com os fãs mais religiosos do Oasis, mas foi precisamente isso o que aconteceu com as vindas, separadamente, dos irmãos Gallagher ao Brasil. No final do ano passado, no festival Planeta Terra, Liam Gallagher e seu grupo Beady Eye fizeram um show de rock cru e vigoroso, mas também displicente e com instrumentistas fracos. Anteontem, o compositor e músico do Oasis, Noel Gallagher (a bordo de seu projeto High Flying Byrds) subiu ao palco do Espaço das Américas, na Barra Funda, e tocou para um público de 6,3 mil pessoas.

Das 20 canções da noitada, Noel Gallagher interpretou 8 músicas do Oasis (incluindo um set ultra-Victor de Supersonic, acústico, ao violão, tipo sofá da Hebe). Liam Gallagher, mais marrento do que inteligente, recusou-se a tocar Oasis em sua visita ao País. Anteontem, o público no Espaço das Américas, embora aprovasse diligentemente cada canção do disco solo recente de Noel, High Flying Byrds, pedia o tempo todo mais canções do Oasis. Tanto que, uma hora, quando berravam para que tocasse Masterplan, Noel não aguentou: "Não! Não! Não! Está no disco Stop the Clocks. Quando chegarem em casa, vão ouvir", disse.

Antes do show, Noel deu uma entrevista coletiva na qual fez pouco caso dos cantores do rock. "Vocalistas são idiotas. Para que eu iria querer um?", afirmou. Bom, entre Supersonic e What a Life, quando ele cantou (I Wanna Live in a Dream in My) Record Machine, ficou evidente que um vocalista selvagem e destemperado cairia como uma luva ali. Noel parecia um liquidificador enguiçado. Mas o que falta de potência para Noel sobra de habilidade. Sua banda é precisa, o baterista Jeremy Stacey, ex-Lemon Trees, é animal.

Claro que, se Noel não tivesse cantado Oasis, correria o risco de fazer um show apenas ordinário. Mas amarrou as pontas do seu legado musical com louvor. Não se prendeu apenas aos megahits do Oasis, fez um painel abrangente: de Mucky Fingers (do regular álbum Don't Believe the Truth, de 2005) a Don't Look Back in Anger, a última do show (de What's the Story Morning Glory, de 1995), passando por Little by Little (Heathen Chemistry, 2002), Talk Tonight (Definitely Maybe, 1994), It's Good (to be Free), Half the World Away e Wathever.

Óbvio, houve bons momentos também com a produção recente de Noel. Em Broken Arrow. Noel faz bom pendant com seu guitarrista americano. Seu baixista, Russel Pritchard, é atento, fundamental, um Dadi britânico. Supersonic, só com violão, foi o momento em que fica evidenciada a diferença entre um e outro irmão. Noel é mais domesticado, parece um herói sob encomenda para uma classe média desencanada, que não se importa em exalar euforia com seu momento indie-sertanejo. Justo.

Crítica: Jotabê Medeiros

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