Quasar encena o universo poético de Guimarães Rosa

Um sertanejo em sua solidão. Ouniverso poético de Guimarães Rosa traduzido com grandedelicadeza para o palco. Henrique Rodovalho, diretor ecoreógrafo do Grupo Quasar de dança é o responsável pelaconcepção do espetáculo A Terceira Margem do Rio, baseado emconto homônimo de Rosa, com o ator goiano Guido Campos Corrêaque estréia no sábado no Sesc Belenzinho, em São Paulo. Tambémsão pequenos contos, porém outro é o estilo de O Falecido -uma comédia despretensiosa com texto e direção de Antonio Roccoe um bom elenco de comediantes - que estréia nesta sexta-feira no N.Ex.T.A Terceira Margem do Rio é um desses espetáculos delonga carreira que o tempo aprimora. Estreou em 1995 em Goiânia,participou de festivais de teatro em Curitiba, Salvador, PortoAlegre e no Recife e também no exterior - Itália, Portugal eCosta Rica. Depois de uma passagem relâmpago por São Paulo, fazagora sua primeira temporada na cidade.O espaço rústico de um dos galpões do Sesc Belenzinhorevelou-se um ambiente mais que apropriado para abrigar a rampaque reproduz a imaginária barranca de um rio. Ali se passa todaa ação do conto no qual Rosa narra a história de um homem que,subitamente, deixa mulher e filhos para passar a viver dentro deuma canoa. Sem afastar-se totalmente das imediações de suaantiga casa, navega rio abaixo, rio acima, porém jamais volta aolar. Guido interpreta o narrador da história, o filho que vive àespera e à espreita do pai, da infância até a velhice.O texto de Rosa está praticamente na íntegra em cena,ora na voz do ator, ora numa narrativa em off. Alguns recursoscênicos permitem trazer ainda para o palco a mãe do personagem,a maledicência dos vizinhos e o universo religioso e culturaldas regiões ribeirinhas do interior do Brasil. Um pequenoteatrinho de bonecos, poeticamente acomodado em uma mala, é orecuso utilizado numa das cenas mais comoventes do espetáculo,quando a família inteira do menino vai para a beira do rio naesperança de mostrar ao pai, ainda que a distância, o seuprimeiro neto.Riso - Outros são os recursos, todos com o objetivo delevar o espectador ao riso, utilizados em O Falecido,espetáculo integrado por dois textos curtos, "contos", nadefinição do autor Antônio Rocco. A primeira parte tem apenas 18minutos e flagra um casamento civil. Um casal aguarda, diante dojuiz, a chegada de seus respectivos parceiros, atrasados para acerimônia. Grace Gianoukas e Nilton Bicudo interpretam a dupladesse texto chamado Amor à Vista, no qual reproduzem umacena de ódio à primeira vista. Tensos com a situação iniciam umbate-boca que termina em surpresa recíproca.O ator Marat Descartes que interpreta o juiz nessaprimeira cena é o personagem central de O Falecido do textoseguinte. Ele interpreta um homem que acorda num caixão, no seupróprio velório. Ninguém em volta. Difícil, para ele e para opúblico, saber se está mesmo vivo ou morto. Sua única lembrançaé a de ter bebido muito na véspera.Quando entra o primeiro amigo prefere fingir-se de mortopara tentar entender o que aconteceu. E o que ouve não é nadaanimador: o único desejo do furioso amigo é que ele estivessevivo para poder então matá-lo novamente. Diante disso, eleprefere manter a farsa. Em seguida chega sua esposa (Grace) eele ouve outra bronca, desta vez por conta de um suposto vexame,na véspera, no casamento de um casal amigo. A chegada do casalde noivos da véspera também não contribui em nada para refrescarsua memória, pelo contrário, a confusão só aumenta. Para piorar,até mesmo a tentativa de esclarecer de vez se está realmentevivo ou morto vai provocar ainda mais dúvidas.O Falecido. Texto e direção Antonio Rocco. Duração:60 minutos. Sexta e sábado, às 21 horas; domingo, às 20 horas.R$ 10,00. N.Ex.T. Rua Rego Freitas, 454, tel.: (0xx11)3106-9636. Até 24/3.A Terceira Margem do Rio. Baseada em conto homônimo deGuimarães Rosa. Direção Henrique Rodovalho. Duração: 50 minutos.Sábado e domingo, às 20 horas. R$ 15,00. Sesc Belenzinho - Galpão do Meio. Avenida Álvaro Ramos 991, tel.: (0xx11) 6605-8143. Até 24/2.

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