Quarto dia do Fashion Rio tem desfiles 'sofisticados'

Novos estilistas fazem uma moda jovial e misturam estampas e texturas nas passarelas

Clarissa Thomé e Fabiana Cimieri, O Estado de S. Paulo

10 de junho de 2008 | 23h52

  Tasso Marcelo/AE Desfile da grife Maria Bonita O quarto dia do Fashion Rio foi chique, sofisticado e feminino. Maria Bonita Extra, Victor Dzenk, Eliza Conde, Tessuti e Apoena apostaram nos tecidos leves, como a organza e o tule, em vestidos soltos e fluidos. Os novos estilistas, Filhas de Gaia e Homem de Barro, fizeram uma moda mais jovial, misturando estampas e texturas.   Veja também: Confira galeria de fotos do Fashion Rio     Maria Bonita Extra desfilou ao som da voz doce da cantora Malu Magalhães, de 15 anos. A coleção foi inspirada no livro "O Amante" de Marguerite Duras, que narra a história de uma jovem de 15 anos apaixonada por um homem mais velho. Na passarela, a história se traduziu em mangas românticas, vestidos soltos com a cintura marcada por cintos e faixas, cumprimentos variaram entre curtos e bem abaixo do joelho. As roupas em linho, algodão e seda foram trabalhadas em dobraduras. As cores foram pistache, morango e tutti-frutti em tom pastel.   Já o mineiro Victor Dzenk foi buscar inspiração nas suas origens: o barroco. Com tecidos leves como jersey, seda e cetins de seda vestiam a mulher sensual. Para as estampas, ele se apropriou dos anjos, adornos e tetos barrocos. O ouro, tão explorado em Minas, apareceu em detalhes como cintos, alças e faixas. Ao fim, a ex-miss Brasil Natália Guimarães acompanhou o estilista nos agradecimentos.   Sarouels, pantalonas, shorts, caftans e macacões farão parte do verão da Cavendish, que baseou sua coleção no Saara. Branco, cáqui e dourado misturam-se as estampas. O deserto imaginado por Carla Cavendish ganha um molho com bordados, babados e brilhos. Nos pés, scarpins com amarrações.   A estilista Eliza Conde partiu das tranças para compor sua coleção. Elas apareceram nas golas - quase como se fossem colares -, em cintos, e nas alças (bem longas) das bolsas. Eliza desenhou roupas fluidas, mas ao mesmo tempo ajustadas ao corpo, em tecidos como jersey, cetim, crepe de chine e chiffon. As cores do desfile foram preto, branco, amarelo, pistache. Nas estampas, algum grafismo. Apesar de correto, o desfile não empolgou - as modelos se despediram da passarela com a platéia praticamente silenciosa. Os aplausos vieramno agradecimento da estilista.   Pela manhã desta terça, a Tessuti fez o único desfile do Fashion Rio realizado fora da Marina da Glória. A grife escolheu o Museu de Arte Moderna (MAM) como passarela de sua coleção, inspirada na geometria do deserto, no concretismo e no modernismo.   A estilista Fafá Cosenza assinou pela primeira vez a coleção da Tessuti, no lugar de Clara Vasconcellos. "Mas eu já trabalho há quatro anos lá, então já entendo bem o conceito da marca", disse Fafá, que levou para a passarela modelagens rebuscadas, que têm como público-alvo as mulheres sofisticadas e cosmopolitas.   O que se viu foram muitos vestidos sobrepostos, saias com cinturas marcadas, plissadas e pregas, e vestidos tubinho, com corte reto, soltos. Os tecidos são os leves e clássicos, como a organza e o cetim de seda. A palheta de cores foi desde o tom neutro da areia do deserto até cores mais fortes, como o laranja, o vermelho e o amarelo, significando "o brilho do reflexo do sol". Entre os acessórios, destaque para dois itens: as sandálias em piton com tiras e os maiôs de cores vivas (amarelo, laranja e vermelho), usados sobre os vestidos.      Tasso Marcelo/AE  Desfile da grife Eliza Conde A Apoena, da brasiliense Katia Ferreira, inspirou-se no "em um futuro emocional, em que os negócios são prósperos, os amigos verdadeiros e os sonhos realizados". Com trilha sonora do Beatles, as modelos desfilaram uma coleção de formas soltas, babados e efeitos plissados. O branco predomina, mas também há espaço para o amarelo, vermelho, tomate, azul e verde. Tecidos leves e confortáveis, como o tule, algodão e malha, foram os escolhidos para compor os vestidos curtos e soltos, as calças molinhas e os casaquetos da marca.   Os bordados, que caracterizam o trabalho da grife, vieram menos rebuscados, mais descontraídos. Um grupo de 45 bordadeiras, das 45 que trabalham para a grife, vieram ao Rio assistir ao desfile. "Agora acabou o trabalho, vamos só curtir a cidade", disse Marcileide de Paula, de 43 anos.   ESTREANTES O primeiro dia de Novos Estilistas trouxe a estreante Filhas de Gaia, das jovens estilistas Marcela Calmon e Renata Salles. A atriz Letícia Birkheuer abriu o desfile com um look estonteante formado por uma saia rosa balonê toda drapeada e uma blusa estampada preta e branca justíssima. Nos pés, um sapato alto de salto agulha completava o visual sexy.   A sofisticação continuou no restante dos modelitos da coleção, que transbordava feminilidade. As cores eram suaves, como lilás, cinza e rosa, mas também ofuscantes, como vermelho e azul royal. Estampas florais ou abstratas foram usadas para mostrar as possibilidades de um novo padrão estético, de acordo com as estilistas: "o padrão que surgiu depois do caos". A idéia, segundo elas, era mostrar uma coleção clássica com fortes interferências urbanas, especialmente do rock n'roll.   O segundo desfile de Novos Estilistas foi do Homem de Barro, do casal de niteroienses Marcio Duque e Aline Rabello, que fez uma coleção artesanal e autoral ,inspirada no filme "Os Goonies". "É a história de uma caça ao tesouro, tem um quê de cartoon. É uma moda leve, descontraída e despretensiosa acima de tudo", explicou Aline.   Ela é quem idealizou as estampas e peças artesanalmente produzidas em parceria com mais de 200 famílias de bordadeiras. Cada peça produzida tem uma etiqueta com o nome da bordadeira que o realizou. Além do cuidado autoral, existe uma preocupação com o meio ambiente, que se traduz no uso de material reciclado e no aproveitamento máximo de cada tecido, reduzindo as sobras ao máximo.   A Soul Seventy, marca criada pela artista plástica Amanda Mujica e pelo artista plástico Antonio Bokel, inovou ao apresentar uma videoinstalação dentro de uns dos contêineres do Fashion Container. Eles ficaram trancados cinco horas dentro desse espaço, criando a nova coleção, inspirada no yin e yang. Com telas e tecidos brancos, botões e linhas irão simbolizar o feminino e o masculino, o positivo e o negativo.

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