''Quanto mais sombrio for um filme, mais britânico ele será''

Mike Newell[br]DIRETOR

Entrevista com

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2010 | 00h00

Sua fama é de faz-tudo, mas não porque Mike Newell (foto) seja submisso a estúdios e produtores. Ele é faz-tudo porque possui um talento versátil que lhe permite assinar filmes tão diversos quanto Dançando com Um Estranho, Quatro Casamentos e Um Funeral, Donnie Brasco e Harry Potter e o Cálice de Fogo. Newell admite que nunca jogou o game de Jordan Mechner, mas diz que é um universo que o atrai muito.

Por quê?

Porque é uma história que é real e, ao mesmo tempo, extraordinária. Mostra um universo não racional e não físico, como hoje o entendemos, mas não era assim no século 6.º. Naquela época, a Europa ainda era bárbara e os persas já eram um grande império. Tentei fazer o filme baseado na mentalidade da época, de que a realidade pode se tornar fantasia.

Jake Gyllenhaal foi uma imposição de Jerry (Bruckheimer)?

Conheço Jake desde que era menino. Morava perto da casa dele e, quando havia bagunça nos Gyllenhaal, sabia que era Jake aprontando. Ele é bonito, gentil, pode ser durão, agrada a homens e mulheres e é talentoso. Um ator como Jake é o sonho de qualquer diretor. Sabia do que era capaz e só tinha de levá-lo a testar seus limites.

Ben Kingsley diz que o personagem dele é shakespeariano, concorda?

Mesmo que não fosse, Ben o interpretaria como tal. Mas a verdade é que o filme possui uma paleta muito rica. Quanto mais um filme for sombrio, estranho, quanto mais sondar as agruras da alma humana, mais "britânico" ele será. Príncipe da Pérsia tem tudo isso combinado a um grande espetáculo. Dá para combinar as coisas. Shakespeare fazia o entretenimento de seu tempo.

Jerry interfere muito na realização?

Como o filme foi feito sob condições muito difíceis, um calor infernal, Jerry evitou ir ao set. Acho que foi uma vez ao deserto. Já havíamos definido o essencial, por isso ele me deixou solto. Quando lhe entreguei a minha versão, ele me propôs um jogo. Chamou o montador Michael Kahn, dos filmes de Spielberg. Michael cortou cerca de seis ou sete minutos. Acelerou o ritmo e deu outra dinâmica à aproximação de Dastan e Tamina. O filme ficou melhor.

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