QUANTO MAIS MARILYN, MELHOR Vídeo. A repórter Flavia Guerra comenta destaques da mostra

Nos 50 anos de sua morte, mostra reúne imagens inesquecíveis

FLAVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2012 | 03h09

Entre as dezenas de imagens de cerca de 80 artistas que compõem Quero Ser Marilyn Monroe, há algumas raras, como o ensaio One Night With Marilyn, de Douglas Kirkland, em que a atriz posa vestindo apenas um lençol, feito por encomenda para a revista Look em 1961 em um pequeno estúdio em Hollywood. Marilyn aceitou fazer as fotos com uma única condição: que o lençol fosse de seda, que houvesse champanhe e que Frank Sinatra estivesse na trilha sonora. Há também as imagens de The Last Sitting, sessão que a diva fez com Bert Stern, para a revista Vogue, seis semanas antes de morrer.

Já outras são muito conhecidas, como Red Velvet Pose, clicada por Tom Kelley, em 1949, quando Marilyn tinha apenas 24 anos e ainda não era uma estrela. Das 24 fotos feitas por Kelley em duas horas (pelas quais ela recebeu o cachê de US$ 50), somente estas, em que ela está nua sobre um cobertor de veludo vermelho, resistiram ao tempo. E viraram literalmente folhinhas de calendário. A empreitada causou tanto furor quanto admiração e chocou os conservadores Estados Unidos dos dourados anos 50, quando foram parar na histórica primeira edição de Playboy, em 1953. Detalhe: o que, além das fotos, foi feito naquela noite nunca chegou a ser revelado por nenhum dos dois, mas a imaginação dos fãs continua rendendo boas histórias. São mistérios como este que fazem da vida de Marilyn uma história que nunca acaba.

A exposição, no entanto, não pretende só reforçar o ícone, mas revelar flagras da atriz em momentos íntimos e espontâneos. "Esta é uma das minhas partes favoritas da mostra, em que podemos ver um pouco mais da mulher que ela foi na vida privada", comenta Ricardo Comissoli, diretor da Admirável Entretenimento, que traz o evento ao Brasil.

Os cliques de Norma também são os preferidos de Nicole Forrest Byers, da International Arts & Artits. "Gosto de ver que ela sempre tentou ser uma mulher como qualquer outra. Apesar do glamour e do estrelato, tentou ter uma vida normal, acreditava no casamento e no amor. Tanto que se casou três vezes, tentou ser mãe, estudou, tinha problemas familiares, foi, antes de tudo, muito humana", analisa Nicole.

De fato, Marilyn despertava em seus fãs, e até na mais ciumenta das rivais, a simpatia por sua forma ao mesmo tempo construída e espontânea de ser. "Ela foi um ícone muito real, de uma época em que a beleza era menos construída que hoje. Encarna a beleza verdadeira da mulher que não tem corpo de top model, que tem dobrinhas, curvas. Não por acaso foi eleita 'o melhor corpo de praia' em recente votação na internet. Não teve para nenhuma modelo esquálida. A beleza de Marilyn ainda é admirada", comenta Comissoli.

É de fato impressionante o fato de uma diva dos anos 50 ser ainda padrão de excelência para moças do século 21. Em um mundo pós-movimentos feministas, a estrela que foi a musa da Playboy ainda é exemplo a ser seguido? "Claro!", responde Nicole. "Foi revolucionária. Pense que, nos anos 50, as mulheres eram talhadas para serem donas de casa perfeitas. Ela rompeu padrões, fazia o que queria. Posou nua, assumiu seus casos e seus divórcios, não tinha vergonha de ser sexy. Foi de fato um furacão. Até hoje imagino como terá sido a reação de Davis Conover quando a descobriu."

Conover foi o fotógrafo que, durante uma 'caçada' pelas fábricas da região às belas moças de Los Angeles, se deparou com uma garota estonteante que, vestindo um microsshort branco, caminhava sossegada pelo pátio da fábrica de rádios Plane Munition, na Califórnia, onde a ainda Norma foi trabalhar durante a 2.ª Guerra, após a partida para o front de seu primeiro marido, Jimmy Dougherty.

Marilyn aceitou o convite de Conover para fazer um teste, começou a fotografar, tornou-se modelo e nunca mais parou. O resto é história. Já a lenda pode ser vista nas sessões que compõem o festival e que incluem os filmes A Malvada (1950), O Pecado Mora ao Lado (1955) - em que há a lendária cena da saia esvoaçante de Marilyn - e Quanto Mais Quente Melhor (1959). Fechando a programação, o documentário Marilyn Monroe: O Fim dos Dias (2001), de Patty Ivins Specth, refaz, por meio de depoimentos e fotos, os últimos momentos da atriz.

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