'Quando você é antagonista, não tem vida'

No ar como a vilã Lívia, de Salve Jorge, Cláudia Raia diz que vive em função da trama e que assusta pessoas nas ruas

JOÃO FERNANDO, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2013 | 02h10

Mais que caprichar na cara de malvada, ser vilã de novela das 9 exige talento para organizar a agenda. "O tempo todo você marca e desmarca tudo. Quando você é protagonista ou antagonista, não tem vida, não vai ao médico. Não dá. Faço aulas nas horas mais esdrúxulas. Faço balé às 22h30, às vezes, sapateado às 7h45. Tenho muita força de vontade e perseverança. Dá vontade de não ir quando gravo até tarde", conta Cláudia Raia, que, na segunda tentativa de conversar com o Estado, teve de correr para o Projac ao ser avisada pela produção de Salve Jorge que sua cena na pele de Lívia Marini havia mudado de horário.

Na reta final da trama, prevista para acabar em 17 de maio, a atriz de 46 anos mobiliza todos à sua volta para executar as tarefas do dia a dia. "São professoras que trabalham comigo há muito tempo e sabem da vida que tenho. A academia de dança fica a 50 metros da minha casa. Fico com a chave. Os filhos sabem que é assim."

Nos poucos momentos em que circula pelo Rio, a paulista tem afugentado o público. "É horrível. Quando chego, as pessoas levam susto, um sobressalto. É medo mesmo. Elas dão parabéns pelo trabalho, mas falam que estão com ódio. Uma vez, entrei no elevador e uma mulher perguntou se eu não tinha medo de levar um tapa na cara. Pensei: 'Ai, meu pai, vai ser agora'. Falei que era tudo mentira, que sou atriz", relembra Cláudia, que também ouve piadas sobre a injeção letal que a personagem costuma dar em quem a atrapalha. "Onde passo, perguntam se não tenho seringa na bolsa e dizem: 'Não me leve para a Turquia'."

Alvo de montagens nas redes sociais por causa da vilã, a atriz garante que se diverte. "Achei hilário. A última foi uma foto minha ao telefone, dizendo 'Russo, desiste das garotas. Vamos importar tomates'. Também leio o blog Morri de Sunga Branca, que brinca com a novela o tempo todo. Quando há humor, quer dizer que está mexendo com as pessoas", opina a atriz, citando o blog que virou hit pelas críticas à novela com animações e fotos.

Semana passada, ela surgiu em uma imagem em que dá uma injeção no rosto do filho, Enzo, de 16 anos. "Ganhei de um amigo, aquilo é uma caneta. Mostrei para as crianças e o Enzo falou para tirar uma foto."

Cláudia jura não saber o final de Lívia. "Pelos textos que recebi, ainda faltam 13 capítulos. Dos que li, ela ainda não se deu mal", revela a atriz, que sugere um castigo para a vilã. "Ela devia levar uma surra de todas as presas na cadeia. E, depois de muito machucada, receber uma sentença perpétua. Só a cadeia é pouco. No Brasil, a gente não tem pena maior que essa. As pessoas são pegas e, em dois anos, são soltas."

Em sua última ida ao Domingão do Faustão, a atriz passou por uma saia justa ao vivo ao ser corrigida pela autora Gloria Perez, que ligou para comentar as declarações de Cláudia sobre a possível paixão de Lívia por Théo (Rodrigo Lombardi) na trama. "É o ponto de vista dela. Acho que Lívia é apaixonada por ele e louca pelo poder. A Gloria acha que é o desejo dela pelo poder, de vencê-lo. Se ela acha isso, é assim que vou fazer. Ela é a autora, ela quem manda. É assim que estou fazendo. Não é que ela falou uma coisa e eu, outra. Achava que a paixão era um ingrediente que daria um molho mais interessante", minimiza.

Assim que Salve Jorge terminar, a atriz vai intensificar as aulas de canto e dança para estrelar a versão brasileira do musical Crazy For You, do qual também assina a produção, com estreia marcada para outubro, em São Paulo. "É com músicas do (George) Gershwin. Será inteiro de sapateado. Estamos trazendo a Susan Stroman, coreógrafa da Broadway. As versões são do (Miguel) Falabella", adianta ela, que atuará ao lado do namorado, Jarbas Homem de Mello.

Cláudia também será vista no cinema em Os Velhos Marinheiros ou O Capitão de Longo Curso, ainda sem data para entrar em circuito. O longa dirigido por Marcos Jorge (Estômago) e protagonizado pelo português Joaquim de Almeida (de O Xangô de Baker Street) é inspirado no livro homônimo de Jorge Amado e reconta uma mesma situação de diferentes maneiras. Nele, a atriz interpreta a dona de um cabaré dos anos 1940, cujo nome ela não consegue lembrar. "Esqueci! O HD está cheio. São 50 laudas que eu decoro por semana."

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