Quando revive o sublime

Astro do festival SWU, grupo fala ao ''Estado'' sobre retorno após 14 anos

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2010 | 00h00

A explosão da segunda onda do punk na Califórnia, nos anos 1990, trouxe à tona bandas como Green Day, Offspring, Rancid e Sublime. Essa última, com um mix de ska, reggae, dub e punk rock, teve vida curta - após oito anos de meteórico sucesso, o vocalista Brad Nowell morreu de uma overdose de heroína em maio de 1996. Os hits do Sublime, no entanto, nunca pararam de tocar nas rádios: What I Got, Santeria, Wrong Way.

No ano passado, os sobreviventes do grupo (o baterista Bud Gaugh e o baixista Eric Wilson) resolveram reformar o velho grupo (com o cantor Rome Ramirez) e voltaram à estrada. Surpresa maior: já vão chegar ao Brasil em outubro, como atrações do festival Starts With You (SWU), em Itu, o já popular Itustock.

No ínicio, foram surpreendidos juridicamente - perderam uma ação na Justiça para um grupo homônimo que já usava o nome Sublime e se julgava prejudicado com seu retorno. "Foi estranho, porque sempre tivemos esse nome como parte da gente. Mas, ao mesmo tempo, é só um nome, são as músicas que importam", disse ao Estado o baterista Bud Gaugh, por telefone. Eles vêm ao Brasil rebatizados como Sublime with Rome.

"No início, pensamos em não continuar porque não parecia fazer sentido sem o Brad (Nowell). Mas ao longo do tempo a gente se deu conta de que aquelas músicas eram parte de nós, que nos pertenciam, que não estávamos falseando nada quando as tocávamos", afirmou o batera. Ele disse que o cantor Rome Ramirez tem grande personalidade, é convincente na interpretação das músicas da banda. "Mas ele tem seu estilo, não imita o Brad. Está fazendo sua própria leitura da coisa, e tem personalidade própria", contou.

Bud conta que presenciou a emergência do rock emocore sem preconceitos, porque nem todas as bandas rotuladas como "emo" são ruins. "Há muita gente nesse pacote, e nem todos são medíocres. Não têm todos a mesma matriz, então, não acho que sejam derivados daquele som que fazíamos", defendeu-se.

Bud explica que continua um fiel discípulo do dub, "um laboratório de possibilidades musicais inesgotável", e lamenta não ter a perspectiva de reunir sua superbanda Eyes Adrift, que montou com Krist Novoselic (ex-Nirvana) e Curt Kirkwood. "Krist não tem mais intenção de tocar, mas sabe que eu adoraria se desse certo de a gente se reencontrar no palco um dia desses?"

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