Quando os passos invadem a rua

Visões Urbanas reúne 16 espetáculos que vão acontecer na Avenida Paulista

Helena Katz, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2011 | 00h00

ESPECIAL PARA O ESTADO

Começa hoje o VI Visões Urbanas, o festival internacional de dança na rua que vai espalhar 16 espetáculos gratuitos pela Avenida Paulista. Trabalhos do Brasil, Uruguai, Turquia, Estados Unidos, Itália, Bélgica e Alemanha serão mostrados para quem estiver pelos Parques Trianon e Mário Covas e no jardim da Casa das Rosas. São mais de 30 bailarinos em uma programação que acontece de manhã, à tarde e à noite até 30 de abril, e que pode ser conferida no www.festivalvisoesurbanas.blogspot.com.

A diretora artística, Mirtes Calheiros, conversou por telefone com o Estado. Contou que percebeu a necessidade de ligar a sala de aula com a rua desde seu início como professora, e conseguiu criar o festival em parceria com Ederson Calheiros, em 2006. "Quando vai explorar a cidade, o bailarino precisa ter o pé mais treinado porque não pode contar só com o chão liso, deve saber lidar com os 360º que a rua oferece, e precisa desenvolver um senso de interpretação para lidar com o imprevisto. O interessante é que como ele também necessita, em outra medida, de tudo isso para dançar no palco, a sala de aula e a rua terminam de complementando."

Seu interesse pela dança na rua a levou a criar o Levante - Centro de Artes para a Rua. A primeira turma, depois de três meses de curso, vai mostrar o resultado do seu processo de aprendizagem no festival. "Graças à essa primeira experiência educacional, que aconteceu inteiramente na rua, pude perceber a necessidade de agregar, na próxima fase, também a sala de aula. Alguns conceitos precisam do espaço fechado para serem melhor trabalhados. Lidar com o aluno é reencontrar o frescor que se perde com o tempo."

Também diretora da Cia Artesãos do Corpo, que fundou em 1999 e reúne oito intérpretes, Mirtes deseja ampliar o alcance do festival na cidade. "Nossa meta é conseguir mostrar que existe muito interesse nessa dança trabalhada especificamente para a rua. Existem muitos grupos no Brasil que não consigo trazer, por conta da verba reduzida. Como o que nos move é querer lavar com um pouco de poesia os olhos de quem vive em uma cidade como São Paulo, cada vez mais poluída, e na qual se fica cada vez menos na rua, a expansão é a nossa meta."

Visões Urbanas faz parte da rede internacional CQD - Cidades que Dançam, da qual participam 34 cidades de 18 países da América Latina e Europa. Esta rede surgiu em Barcelona, em 1992, cidade onde mantém a sua sede. Do Brasil, participam, além de São Paulo, as cidades de Brasília, com Marco Zero; Belo Horizonte, com Horizontes Urbanos; Porto Alegre, com Dança Alegrete; e Rio de Janeiro, com Dança em Trânsito (mais informações no www.cqd.info).

Além dos espetáculos, estão programadas duas palestras no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, e uma mostra de videodança na Casa das Rosas. E também dois eventos fora da Avenida Paulista: uma oficina de hip-hop no estúdio dos Artesãos do Corpo, em Santa Cecília, e uma exposição de fotos, São Paulo - Cidade que Dança, na Caixa Cultural da Praça da Sé sobre os primeiros cinco festivais.

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