Quando o samba é reza

Uma genial tira do cartunista Laerte traz Adão confuso sobre o que dar a Eva depois do primeiro encontro. Deus sugere Paulinho da Viola. Se fosse obediente, o futuro pecador, que não entendia nada de samba - ou de mulher - poderia começar com Dança da Solidão, uma das grandes obras do sambista mais querido de nossa história. O disco será relançado pela Discoteca Estadão no domingo que vem e ilustra, com sua profusão de pérolas, a abrangência do samba de Paulinho.

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2011 | 00h00

O primeiro hit foi Guardei Minha Viola. Alegre e com o auxílio de um sambão despudorado, cortesia de bambas da Portela, a canção ri das desilusões de seu compositor. A euforia é seguida pela soturna Meu Mundo É Hoje, uma aula de dignidade que poderia virar salmo. A tristeza arrasadora chega com Duas Horas da Manhã, de Nelson Cavaquinho, e deságua na carinhosa Acontece, uma versão de arranjos luxuosos para a canção de Cartola cuja letra conta a forma mais elegante com que já se terminou um relacionamento.

Paulinho não fica para trás. São suas as lindas Ironia e Dança da Solidão, faixa-título popularizada por Marisa Monte. Trata-se de um disco feito de puro ouro, com ensinamentos que elevam a arte popular ao sublime. Deus sabe o que diz.

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