Quando Caetano tirou Elza do limbo

Disco de 1985 sai em CD pela primeira vez com outros cinco títulos da cantora

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2010 | 00h00

Elza Soares perambulava no limbo, longe dos palcos e com seus discos fora de circulação, quando Caetano Veloso a recolocou em evidência ao convidá-la para participar do antológico samba-rap Língua, no álbum Velô, de 1984. No ano seguinte os dois voltaram a se encontrar num disco dela, Somos Todos Iguais, cantando o clássico Sophisticated Lady (Duke Ellington), com letra em português de Augusto de Campos.

Inédito até agora em CD, o álbum virou cult e sai num pacote da gravadora Discobertas, do pescador de raridades Marcelo Fróes, com outros cinco títulos da cantora: Voltei (1988). Elza Soares (1974), Nos Braços do Samba (1975), Lição de Vida (1976) e Pilão + Raça = Elza (1977). São todos da fase de menor brilho da cantora, que lançou seus melhores álbuns pela Odeon nos anos 1960.

Mas há curiosidades nesses que saem agora, incluindo diversas faixas bônus, como bom samba Doce Amor (Eduardo Gudin/Roberto Riberti), de Somos Todos Iguais, que também tem um registro em blues de Milagres (Cazuza/Frejat/Denise Barros) e Daquele Amor, Nem me Fale (João Donato/Martinho da Vila).

Elza, que foi elogiada por Louis Armstrong, está para lançar um CD de jazz, mas já flertou com o gênero naquele disco de 1985. É no samba, porém, que ela se dá melhor neste e nos outros discos. Arranjos datados e os habituais excessos vocais dificultam a audição hoje. Não é à toa que esses arroubos geraram a expressão "elzagerada".

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