Quando amores (Im)possíveis dão o tom

Cabelo a la Garçonne, minissaia que exibia generosamente as coxas, Ana Paula Arósio era a própria imagem da beleza ao subir no palco do Odeon BR para apresentar Como Esquecer. Na tela, no longa de Malu de Martino produzido por Elisa Tolomelli, havia outra Ana Paula - não feia, porque isso seria impossível, mas desglamourizada, chorona, enfiada na própria fossa (e, de certa forma, curtindo isso).

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2010 | 00h00

Desde quinta, o Festival do Rio tem vivido noites espetaculares no Cine Odeon. Ontem à noite, duas divas internacionais, Charlotte Rampling e Irène Jacob, também subiram ao palco para mostrar Rio Sexy Comedy. O filme de Jonathan Nossiter, o belo documentarista de Mondovino, apresenta o Rio de Janeiro pelo olhar estrangeiro.

Na diversidade que compõe a programação de mais de 300 títulos do Festival do Rio, tem havido muitos filmes sobre relacionamentos. O de Malu De Martino trata desta professora universitária gay que amarga o fim da relação. A mulher com quem ela viveu os últimos anos a abandonou e a personagem de Ana Paula Arósio viaja na depressão e no sofrimento. O amigo gay (Murilo Rosa) tenta arrancá-la da fossa. Ela resiste e nem o surgimento de outra bela mulher a convence a começar de novo.

Como Esquecer - é o título - é bem feito, apresenta interessantes pesquisas de imagem e som (a trilha é maravilhosa), o elenco é 10. Tudo é muito bom, muito bonito, mas a personagem, na intransigência do seu isolamento, tende a provocar mais irritação do que empatia. Espere a estreia no dia 15 para conferir. Também na Première Brasil, e concorrente ao Redentor, Malu de Bicicleta, de Flávio Tambellini, trata de relacionamentos heteros.

Marcelo Serrado faz o sedutor que troca todas as mulheres do mundo pela garota da bicicleta, Malu. Mas ele não está preparado para isso e o ciúme exagerado prejudica a relação. Malu de Bicicleta baseia-se no romance de Marcelo Rubens Paiva, adaptado pelo próprio. Tambellini, Serrado e Fernanda de Freitas, a Malu, levaram as estatuetas de direção, ator e atriz no Festival de Paulínia. O filme tem charme, mas há sempre algumas coisa - o profissionalismo? - que impede o diretor de ousar mais. Ele próprio traça seus limites.

Trafegando entre amores homo e heteros, Mine Vaganti, do italiano Ferzan Ozpetek, trata principalmente de relações difíceis e até impossíveis. É o melhor de todos esses filmes e, não por acaso, foi aplaudido em cena aberta, em algumas sessões.

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