Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Quando a vida é um palco

Aos 60 anos de carreira, Eva Wilma interpreta diva do teatro em nova peça

MARIA EUGÊNIA DE MENEZES, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2013 | 02h10

Já em cima do palco, depois que as cortinas estiverem abertas, Eva Wilma irá dizer: "Eu não era só bonita. Era uma boa atriz também. Recebi muitos convites pra trabalhar e acabei me transformando numa estrela. Logo veio a televisão e também um pouco de cinema. Fiz alguns filmes, muita televisão e grandes peças de teatro".

O depoimento não é autobiográfico. Obra de ficção, faz parte do espetáculo Azul Resplendor, com estreia marcada para o sábado. Mas essas frases guardam tantas semelhanças com a realidade, que essa bem poderia ser uma súmula do percurso da própria intérprete. Prestes a completar 80 anos, Eva também comemora neste ano outra efeméride: seis décadas de carreira. Período em que colecionou uma notável galeria de personagens em peças, novelas e filmes.

Na montagem, a atriz dá vida a Blanca Estela, também uma diva do teatro. O texto aborda o contexto cultural de hoje, época na qual espetáculos não vivem de bilheteria, tornaram-se reféns do patrocínio e dependentes dos meios de comunicação. "É um mergulho nesse universo da arte, pega a essência dessas figuras: do ator, do diretor, do autor. E, usa, para isso o humor crítico, o tipo de linguagem que mais gosto", resume Eva Wilma.

Ao flagrar o momento atual, Azul Resplendor também traz uma contraposição ao passado. "A nossa profissão mudou muito, com o advento da televisão, da informática. E isso é colocado em cena. Fiz até uma contribuição ao texto por isso. Inseri um trecho em que digo que sou do tempo que se fazia teatro de terça a domingo."

Semelhanças à parte, existe uma definidora diferença entre atriz e personagem: Blanca Estela fez muito sucesso, mas decidiu recolher-se. Há cerca de 30 anos está distante das luzes da ribalta. Eva Wilma, ao contrário, não tem planos de parar. Ainda recuperando-se de uma cirurgia no quadril, realizada em fevereiro, precisa andar devagar. Prestar atenção para dar um passo após o outro. Mas ela pouco fala disso. Com arroubos de iniciante, faz planos de rodar o País com a nova peça. "Mas não quero ficar restrita a Rio e São Paulo. Isso não. Quero sair por aí. Existem teatros no Brasil que são verdadeiros templos. "

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