Quando a música fala muito mais do que as palavras

Paulo Moura - Alma Brasileira, de Eduardo Escorel, é um documentário que escancara as suas próprias dificuldades de existir. Em voz over, seu diretor esclarece que não pôde incluir algumas sequências que gostaria. Uma delas, a última seresta do mestre, na Clínica São Vicente, tocando em seu sax o choro Ingênuo, de Pixinguinha. Moura estava enfraquecido, à beira da morte, e seu desempenho é precário. No entanto, outras gravações, com ele em plena forma, também não foram autorizadas. Desse modo, o documentário é, também, o comentário franco sobre as atuais dificuldades de se envolver com esse gênero de filme no Brasil. Aqui, os mortos têm muitos proprietários.

LUIZ ZANIN ORICCHIO, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2013 | 07h14

Em que pesem essas dificuldades, Escorel realiza um belo trabalho. Encontra cenas pouco vistas da trajetória de Paulo Moura e as coloca na tela. Por exemplo, as que não entraram na montagem final de Brasileirinho, longa do finlandês Mika Kaurismaki. E várias outras, registradas nos quatro cantos do mundo onde a arte de Moura o levou: França, Japão, Israel, etc.

A opção foi certeira. Quando você tem em vista um grande instrumentista, é a música que deve vir em primeiro lugar e, apenas depois, muito depois, as peripécias de vida. Desse modo, há muito som e, claro, da melhor qualidade, em Paulo Moura. Os depoimentos são poucos, e não há especialistas tecendo comentários sobre uma obra que fala por si. De Brasileirinho, de Waldir Azevedo, a Valsa Trieste, de Radamés Gnattali, de Só Louco, de Dorival Caymmi, a Espinha de Bacalhau, de Severino Araújo, o que vemos, e ouvimos, é o intérprete sublime, senhor de sua técnica a ponto de não pensar mais nela e dedicar-se por inteiro à interpretação.

A música de Paulo Moura basta-se a si mesma.

CRÍTICA

JJJJ ÓTIMO

JJJJJ

BOM

POUCOS

DEPOIMENTOS E CENAS INÉDITAS FAZEM O

ENCANTO DO FILME

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