Qualquer maneira de amor vale amar

Em suas peças, Anton Chekhov não punha em cena heróis ou vilões. Não mirava grandes acontecimentos. Não pedia vozes impostadas, interpretações grandiloquentes, falas graves. Era um teatro novo. E um teatro novo pedia também um amor novo.

O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2011 | 03h09

Tomo Suas Mãos nas Minhas, espetáculo que entra em cartaz hoje no Sesc Consolação, tematiza a particular relação conjugal que Chekhov estabeleceu com Olga Knipper. Na pele dos protagonistas estão os atores Roberto Bomtempo e Miriam Freeland.

Mesmo depois de casados, Olga e Chekhov nunca viveram juntos. Para fugir do frio rigoroso, ele recolhia-se em Ialta. Ela, atriz do Teatro de Arte de Moscou, ficava na capital russa. Mesmo separados, ambos alimentaram um afeto profundo, que acabou se desdobrando em uma vultosa correspondência.

É a partir das centenas de cartas que o escritor trocou com a mulher que a dramaturga Carol Rocamora concebeu a peça. O texto chegou a ser montado por Peter Brook, em 2004. E merece sua primeira encenação no Brasil pelas mãos da diretora Leila Hipólito.

Em sua versão, que estreou no Rio em 2009, Leila seguiu o texto original. Mas não a indicação de que a peça fosse encenada como uma leitura epistolar. "Não conseguia ver dessa forma", diz a encenadora. Antes, preferiu criar cenas em que os dois se encontram. "Isso porque, em alguns momentos, a intimidade das cartas é tão grande que eles não estão separados. Não há como estar mais próximo."

No início de Tomo Suas Mãos nas Minhas acompanhamos as figuras de dois narradores, dispostos a contar essa história verídica. É gradativamente que cada um deles encarna os personagens. E trechos da correspondência ganham a forma de diálogos.

Não são apenas questões amorosas que emergem desse relacionamento a distância. "Como eles confabulavam muito sobre teatro, essa questão merece um espaço muito grande", observa a diretora. Em pauta, os novos métodos de interpretação lançados por Stanislavski, as propostas de Nemiróvitch-Dântchenko, os conflitos que cercaram toda uma geração de artistas. / M.E.M.

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