Qualidade marca 7.º Festival de Teatro de BH

Começa hoje a 7.ª edição do Festival Internacional de Teatro de Belo Horizonte (FIT-BH). Ainda que tenha grande importância a vinda do diretor inglês Peter Brook ao Brasil - seu espetáculo Tierno Bokar é a atração de maior peso na programação do evento -, muitas outras boas montagens nacionais e internacionais passarão por Belo Horizonte até o encerramento do festival, no dia 30. Realizado pela prefeitura local, com coordenação do diretor teatral Marcelo Bones, o evento leva à cidade a trilogia do Teatro da Vertigem - Paraíso Perdido, O Livro de Jó e Apocalipse 1.11 -, permitindo ao público uma visão de conjunto da criação deste que é, sem dúvida, um dos mais importantes grupos teatrais brasileiros. Paraíso Perdido - que aborda a perda da inocência - será apresentado hoje e amanhã na Igreja Nossa Senhora do Carmo. Entre os bons espetáculos da mostra nacional está ainda Cobra Norato, um dos mais bonitos trabalhos do grupo de teatro de bonecos Giramundo, recriação em linguagem lúdica do poema homônimo de Raul Bopp. Com censura livre, a peça será apresentada gratuitamente no Parque Municipal, reforçando uma das principais marcas do FIT-BH: o seu caráter democrático. Como sempre ocorre, além de contar com muitos espetáculos de rua na programação, o FIT expande as apresentações de algumas montagens à periferia da cidade. Por exemplo, o palhaço Tortell Poltrona, referência do circo catalão, vai levar sua arte a bairros distantes de quatro diferentes regiões. No que diz respeito à programação local, não deixa de ser privilégio contar com um grupo de projeção nacional como o Galpão, que participa do evento com Um Molière Imaginário e O Inspetor Geral. Voltando às atrações nacionais, o festival propiciará ao público mineiro ver espetáculos bem recebidos, e premiados, em outros centros urbanos, como Otelo, do grupo paulistano Folias D´Arte, dirigido por Marco Antônio Rodrigues, e O Que Diz Molero, do carioca Centro de Demolição e Construção Teatral, comandado por Aderbal Freire-Filho. A peça La Casa de Rigoberta Mira al Sur, do dramaturgo argentino Aristides Vargas, aborda o conflito de um casal que faz parte daquela geração de latino-americanos que trocou ideais políticos por cartões de crédito. O autor os retrata a partir de um interessante contraponto entre o casal e a filha deles, que morreu aos 8 anos, durante a revolução sandinista, e a avó da menina, igualmente morta. Teatro político com pitadas de realismo fantástico, na melhor tradição latina. Na programação internacional, há ainda montagens da Austrália, Inglaterra e Itália e do México e Chile.

Agencia Estado,

18 de agosto de 2004 | 16h16

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