Quadro roubado no Rio é oferecido em site da Bielo-Rússia

A Polícia Federal (PF) localizou nesta quinta-feira pedaços da moldura do quadro A Dança, de Pablo Picasso, roubado do Museu Chácara do Céu, em Santa Teresa, centro. Os fragmentos estavam nos restos de uma fogueira, no Morro dos Prazeres, no mesmo bairro. Também hoje, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) foi informado de que o quadro O Jardim de Luxemburgo, de Henri Matisse, roubado no mesmo assalto, foi oferecido em um site de leilões virtuais da Bielo-Rússia, o que levou a PF a acionar a Interpol. O lance mínimo seria de US$ 13 milhões. Quatro homens armados roubaram as obras, na sexta-feira. Além do Picasso e do Matisse, eles levaram as obras Os Dois Balcões, de Salvador Dalí, e Marinha, de Claude Monet. No total, elas são avaliadas em US$ 50 milhões.Um telefonema anônimo ao Disque-Denúncia levou a PF, com apoio da Polícia Civil, ao local onde estavam as molduras queimadas. A diretora da Chácara do Céu, Vera de Alencar, confirmou que um dos fragmentos apresenta o número de série do quadro de Picasso. Vera disse que um outro pedaço de moldura, aparentemente, seria do quadro de Dalí. Quando viu os restos, ela pensou que as obras tivessem sido destruídas e chegou a chorar. Depois, constatou que não havia resíduos das telas entre o material queimado. "Minha sensação foi de total perplexidade. É uma coisa terrível ver obras desse valor, não só financeiro, tratadas dessa maneira", disse Vera. "Dá para perceber que as telas foram retiradas. Tomara que eles (os ladrões) tenham feito isso." O material foi levado para a superintendência da PF.SiteO quadro de Matisse foi oferecido durante quatro horas no site de leilões Mastak. A informação chegou ao Iphan por uma mensagem eletrônica. O diretor do Departamento de Museus do instituto, José do Nascimento Júnior, acredita que uma quadrilha internacional está por trás do crime. E disse que o roubo na Chácara do Céu representa uma alteração no modo como agem as quadrilhas que roubam bens culturais. "Vamos mudar o padrão de segurança dos museus", afirmou.

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