Pynchon, agora em versão digital

Thomas Pynchon foi um dos últimos grandes escritores a opor resistência, recusando-se a permitir que sua obra fosse vendida no formato de livro eletrônico. Mas mudou de ideia. O autor de O Leilão do Lote 49, O Arco-íris da Gravidade e V fechou um acordo com a Penguin Press para a publicação de toda a sua obra em formato digital.

JULIE BOSMAN , THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2012 | 03h10

O anúncio é mais um passo para a ubiquidade do livro eletrônico, mesmo para autores que resistem obstinadamente a ele. Alguns anos atrás, as vendas de livros eletrônicos eram reduzidas em comparação com as de livros impressos, mas, nos últimos seis meses, um novo romance chega a vender um número maior de exemplares eletrônicos do que de impressos.

Os autores cuja obra não está em formato eletrônico poderão perder toda uma categoria de leitores, os que abandonaram os livros impressos pelos digitais. As editoras, particularmente atraídas por títulos mais antigos, trataram de transformá-los em livros eletrônicos que venderam com facilidade.

Pynchon evitou a imprensa durante a maior parte da sua vida e, como é típico dele, não quis falar sobre sua decisão. Mas Ann Godoff, presidente e diretora chefe da Penguin Press, disse numa entrevista que Pynchon se deu conta de que estava na hora de aderir aos novos tempos. "Não era exatamente o elefante na sala de visitas, mas achamos que este era o momento certo", disse Ann. "Há anos havia um grande desejo de ter todos os livros de Tom em formato digital. Ele resolveu não mais se opor a aderir a isto."

Uma das razões é simples. "Acho que ele quer aumentar o número dos seus leitores. Todo escritor quer ter o máximo de leitores. Mas não acredito que isto mude o seu perfil, no sentido de ele aparecer em público agora. Aliás, sei que não mudará", ela disse.As versões eletrônicas de todos os oito livros de Pynchon - sete romances e uma coletânea de contos - começaram a ser vendidas na quarta-feira a preços entre US$ 9,99 e US$ 12,99. A Penguin não quis comentar as condições financeiras do acordo.

Pynchon, de 75 anos, faz parte de um grupo de autores famosos que concordaram, às vezes com relutância, em vender suas obras no novo formato. Em novembro do ano passado, Ray Bradbury, escritor de livros de ficção científica que morreu há duas semanas, anunciou que permitiria que seu clássico Fahrenheit 451 fosse vendido em formato eletrônico, apesar de ter proclamado anteriormente que os livros eletrônicos "têm cheiro de combustível queimado".

Judy Blume, a adorada autora de livros para crianças e adolescentes, aceitou em março que 13 dos seus livros mais antigos, inclusive Deus, Você Está Aí? Sou Eu, Margaret e Starring Sally J. Freedman as Herself, saíssem na versão digital. J.K. Rowling, autora da série Harry Potter, só consentiu este ano. Pynchon, conhecido por sua narrativa densa e complexa, é um dos mais reverenciados autores da moderna literatura e recebeu um Prêmio Nacional do Livro por O Arco-íris da Gravidade, em 1974. Entretanto, dois dos seus livros mais recentes, Vício Inerente, publicado em 2009 e Contra o Dia, lançado em 2006, não tiveram a recepção entusiástica da sua obra anterior.

O lançamento dos livros de Pynchon em versão eletrônica será acompanhado por uma campanha publicitária e de marketing da editora, com um vídeo de produção primorosa postado esta semana no YouTube e em sites de livrarias da Penguin e lojas de livros em geral.

Para a Penguin, os livros de Pynchon apresentaram um desafio em matéria de formato: Como muitas vezes são longos e suas páginas têm layouts complicados, eram difíceis de converter para o formato eletrônico. A editora levou muito tempo para concluir o trabalho com grande qualidade. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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