Puro requinte da Venezuela

Carolina Herrera fala sobre seu sucesso nos EUA.

Sonia Racy, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2010 | 00h00

Carolina Herrera pode ser definida como uma latina que realizou o sonho americano. Venezuelana radicada nos EUA desde a década de 80, a estilista venceu a pesada concorrência e sustenta, há 25 anos, o próprio nome no mercado da moda de NY. São lojas da grife espalhadas por 16 países, sendo apenas uma no Brasil, onde se mantém como líder no segmento de perfumes há cinco anos.

Mãe de quatro filhas, Sra. Herrera - como é chamada pelos que a cercam - sempre foi reconhecida por seus conterrâneos como uma mulher elegante. Nascida na alta sociedade Caracas, entrou em contato desde cedo com tecidos nobres, marca registrada de seus modelos: "Na minha família todas as mulheres se vestiam em Paris e NY. Acostumei meu olhar para as coisas bonitas", conta.

O requinte impresso na sua grife não passou batido: caiu nas graças de Jacqueline Kennedy e das atrizes de Hollywood que desfilam, ano a ano, suas criações nos principais "red carpets" do mundo. Referência de sofisticação, quando indagada sobre o estilo de Michele Obama, não sai pela tangente: "Não é a mulher mais elegante que já passou pela Casa Branca, mas tem sua personalidade".

Mesmo inserida no ápice do glamour, a estilista - que afirma demorar não mais do que dez minutos para se vestir - tem uma fórmula express para não escorregar. "Toda mulher deve ter um espelho de corpo inteiro em casa para enxergar seus erros e excessos", explicou a designer em conversa, por telefone, com a coluna: "Se está na moda usar minissaia, mas você não tem pernas bonitas e nem uma idade adequada, precisa optar por outra coisa que lhe caia melhor".

E é com a agenda lotada de compromissos que ela desembarca por aqui, na próxima semana. Além de batizar sua 1ª flagship brasileira e ganhar uma festa-homenagem no Rio, participa de ação contra o câncer de mama, campanha da qual é madrinha há três anos.

Quais são suas expectativas para o mercado brasileiro?

Estou me sentindo realizada por abrir uma loja no Shopping Cidade Jardim. Afinal, há cinco anos estamos liderando o segmento de perfumes no Brasil e já era tempo de abrir esse espaço para outros produtos. Pensando em seguir o estilo de vida dos brasileiros, teremos roupas sofisticadas para o dia, chiques para noite e muitos acessórios. Nossa coleção será completa e espero que tenha êxito no País.

O que acha das brasileiras?

São lindas. Estupendas, na verdade. E além tudo, vocês possuem um corpo incrível, são figuras belas. Para completar, a mulher brasileira gosta de moda. Isso para mim é tudo.

Na opinião da senhora, qual seria um pecado da moda?

O grande deslize que uma mulher pode cometer é usar algo que não esteja de acordo com seu estilo, personalidade e corpo. Por exemplo, está na moda usar minissaia, mas você não tem pernas bonitas e nem uma idade adequada para usar, precisa optar por outra coisa que lhe caia melhor. O grande erro que cometemos é usar algo que não nos veste bem.

É preciso, então, conhecer os limites estéticos do próprio corpo?

Sim. E ter um espelho de corpo inteiro em casa para ver de perto seus erros e excessos (risos).

A sra. tem quatro filhas. Elas servem de inspiração para compreender as necessidades mulher contemporânea?

Sem dúvida. Minhas filhas têm personalidades muito diferentes e todas me dão suas opiniões. São um prato cheio para meu trabalho. E Carolina (Herrera), que trabalha comigo, tem um olho bom para a marca. É muito sincera, o que é extremamente importante.

Ficou conhecida por vestir Jacqueline Kennedy. O que acha do estilo de Michele Obama?

Michele Obama tem criado seu estilo próprio. Não é a mulher que eu consideraria a mais elegante que já passou pela Casa Branca, mas tem sua personalidade. E isso é muito importante.

Outra primeira-dama muito comentada na moda é Carla Bruni, o que acha dela?

Carla Bruni "me encanta". É extremamente elegante. Seu estilo, maravilhoso, ficará marcado na história da França. É uma mulher que sabe andar, sentar, caminhar. É completa.

E seu gosto por tecidos nobres, de onde surgiu?

Sempre tive paixão pela moda. Cresci um uma família onde todas as mulheres se vestiam bem. Compravam em Paris e NY. Assim, fui acostumando meu olhar para as coisas bonitas, para a qualidade do material. Acabei me aprofundando com o passar dos anos. Tecidos nobres são materiais essenciais para realizar meu trabalho.

É considerada o xodó de muitas atrizes de Hollywood. Há alguma que ainda não vestiu e que gostaria que usasse suas roupas?

Busco sempre novos rostos. Há uma menina, da série americana Modern Family, que se chama Sofia Vergara. É colombiana e me parece fantástica. Outra que também estou de olho é Dianna Egron.

E se pudesse escolher alguma atriz para interpretá-la no cinema, quem seria?

Não sei. Isso teria que ser escolha de outra pessoa. A gente nunca consegue enxergar bem a si próprio. Deixaria a cargo do diretor e do produtor (risos).

A sra. afirmou recentemente que os americanos são mais generosos que os latinos. Por quê?

Os americanos são muito generosos, te ajudam. Muitas vezes, os latinos parecem mais solícitos mas na prática não são.

Como uma latina que venceu nos EUA, o que diria que é essencial para quem quer se inserir no mercado de moda americano?

Se a pessoa vai se envolver com moda, tem que gostar muito. Porque não é apenas o glamour das passarelas e das coleções que exibe. É todo o trabalho por trás disso. É preciso ter talento e muita sorte também. Agora, o essencial mesmo é ter estilo próprio. Assim, você vai atrair mulheres que se identifiquem com ele.

Por que deixou a Venezuela?

Meu trabalho sempre foi em NY. Desde que comecei. Mas aviso: ninguém deixa sua pátria para sempre.

O que pensa de Hugo Chaves?

Não falo de política. Só de moda.

MARILIA NEUSTEIN

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