Pupillo é mentor

O baterista da Nação Zumbi se torna um dos produtores mais criativos no País e ganha fama de Midas. Tudo em que toca fica bom

Lucas Nobile, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2010 | 00h00

Romário Menezes de O. Jr. dificilmente atende o celular antes das 14 h quando se trata de trabalho. Todos os dias acorda depois deste horário guiado por "aventuranças". Há tempos, dorme com a consciência tranquila e pula da cama de peito aberto. A cara ainda é de moleque, nem parece que faz 15 anos, quando tinha apenas 21, que ele ajuda a Nação Zumbi a escrever o capítulo mais recente de algo realmente revolucionário na música brasileira.

Desde os 12 anos, Romário conserva o verdadeiro nome apenas na carteira de identidade e para seus familiares. Para todo o resto, atende por Pupillo, graças a um ex-cunhado que, apenas quatro anos mais velho, não era nenhum gênio da bateria, mas gabava-se de ter um discípulo, no fim dos anos 80, no Recife.

No meio desta semana, obviamente após as 14 horas, ele abriu a porta de sua casa como raramente faz a desconhecidos. Na camiseta verde, escrito Baixio das Bestas. Não é apenas sinal de que ele gosta do longa-metragem de Cláudio Assis, de 2006. O título revela uma seara pela qual Pupillo tem se aventurado faz um bom tempo: trilhas sonoras para cinema. Tocando, produzindo ou assinando composições com os companheiros de Nação ou outros amigos, como Otto e Fernando Catatau, ele já levou sua música para as telas com os estrangeiros Partes Usadas, Solo Diós Sabe e os nacionais Árido Movie, Amarelo Manga, Besouro, Linha de Passe e o próprio Baixio das Bestas.

O rosto ainda é amassado de sono, mas o pensamento é desperto e a fala articulada revelam o porquê de Pupillo, hoje com 36 anos, ter crescido ao lado de uma geração de músicos tão importante quanto as anteriores, e despertar hoje como um dos nomes mais requisitados do momento para encabeçar uma infinidade de projetos. No momento, ao lado de Rica Amabis (parceiro de 3NaMassa e com quem divide apartamento) e Tejo, ele trabalha na trilha do longa-metragem de animação Lutas, que conta a história dos momentos mais marcantes do Brasil em 510 anos, desde seu descobrimento pelos portugueses.

Entre um trabalho e outro, Pupillo leva a vida pessoal resguardada com os amigos. Avisa que a Nação Zumbi nunca deixou de ser a prioridade artística. Entre os integrantes impera uma permissividade benéfica de respirar o frescor de outros ares. O resultado desses "passeios" de Pupillo são uma turnê pelos EUA em julho e mais três discos com gente que assim como ele anda na contramão das mesmices do mercado.

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