Público lota Feira de Frankfurt em seu último dia

Depois de três dias dedicada aos editores e agentes literários, a Feira de Livros de Frankfurt abriu no fim de semana suas portas ao público que, por enquanto, não pode comprar nada - somente no domingo, último dia do evento, as obras poderão ser levadas. E, com o dia ensolarado que fez em Frankfurt, a Buchmesse ficou lotada, recriando o quadro de corpo-a-corpo que marca os finais de semana da bienal dos livros no Rio e em São Paulo.Como é quase impossível conhecer tudo (são mais de 6.600 expositores), os visitantes concentraram-se nos pavilhões com atrações mais populares. Assim, os fãs de quadrinhos lotaram os corredores do pavilhão 3, onde editores de diversos países ofereciam suas novidades. Como o estande da alemã Reprodukt, que editou a divertida sátira Larry Potter.Escrita e desenhada por Fil, a história mostra as chatices sofridas por Larry, garoto pouco popular na escola e que usa óculos de lentes grossas, que faz o póssivel para conciliar o mundo real com o da mágica. Nessa briga, Larry sempre leva a pior, o que o deixa ainda mais aborrecido.Mais barra pesada mas igualmente interessante é o trabalho desenvolvido por Max Andersson e Lars Sjunnesson em Bosnian Flat Dog. O livro nasceu do convite que eles receberam, quando estavam na cidade de Liubliana, para fazer um diário de sua passagem pela Bósnia em guerra. Animada com a possiblidade de exercitar o humor corrosivo, a dupla produziu uma história arrasadora e com detalhes malucos, como uma geladeira que guarda a múmia congelada do ex-ditador Tito.Outro pavilhão movimentado foi o reservado para editoras de língua árabe, cultura que foi homenageada na feira deste ano. Apesar de a maioria do público não entender nenhuma palavra escrita no caracter árabe estampada nos livros, as sessões de história audiovisual e as exposições de quadrinhos e sobre a biblioteca de Alexandria foram muito visitadas.Diversificada, a Feira do Livro de Frankfurt oferece opções de leitura para todos os tipos, como o corredor com publicações GLTS, diversas alas sobre arte contemporânea, em que o livro transforma-se também em objeto artístico, e ainda vários blocos em que as editoras revivem um tradição ainda muito comum na Europa e Estados Unidos: a da leitura oral das obras, feita pelos próprios autores.Entre os diversos escritores presentes, uma revelava um sotaque português - ha oito anos vivendo na Alemanha, a portuguesa Paula de Lemos leu, ao lado do marido Cristopher, poemas eróticos que ela reuniu no volume Gehen wir zu dir?. "Minha intenção jamais é chocar, mas, ao contrario, mostrar como o erotismo pode também ser engraçado", conta ela, que adotou o ponto de vista feminista na criação.Em um de seus poemas, de fato, ela mostra como os instrumentos típicos de uma cozinha, bem conhecidos da maioria das mulheres, adquirem formatos sexuais. "Minha inspiração vem com a observação dos espaços que me rodeiam", conta ela, que não conseguiu esconder um certo nervosismo durante a leitura. Depois, mais calma, preparava-se para uma nova batalha: encontrar um editor brasileiro para sua obra.

Agencia Estado,

10 de outubro de 2004 | 15h41

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