Público denuncia e programa de tevê sofre alteração

O programa Canal Livre, apresentado pelos irmãos radialistas Wallace e Carlos Souza, na TV Rio Negro, retransmissora da Rede Bandeirantes no Amazonas, deverá passar por uma mudança radical em sua produção a partir deste ano. De acordo com um termo de ajustamento de conduta assinado pela direção da empresa, o programa "passará a trilhar uma linha editorial de assistência comunitária mais abrangente, reduzindo o seu jornalismo policial ao seu nível adequado".Segundo o procurador da República, Osório Barbosa Sobrinho, o acordo foi negociado depois que o Ministério Público (MP) entrou com uma Ação Civil Pública, no dia 7 de dezembro do ano passado, contra a TV Rio Negro e a União, que é a responsável pela concessão do serviço de radiofonia no País. "Recebemos denúncias por parte de telespectadores que se sentiam agredidos com o conteúdo do programa. Decidimos mover a ação por entender que os apresentadores e repórteres incitavam a violência, pregando a realização da justiça com as próprias mãos", comentou.Na avaliação de Osório, o acordo foi uma vitória da cidadania. Porém, ele ressaltou que a fiscalização deve partir da própria sociedade, que deve denunciar os abusos que por ventura vierem a ocorrer novamente. "Neste caso, o povo é o melhor fiscal, pois o Ministério Público não tem como assistir ao programa todos os dias", ponderou.Osório lembrou que, entre outras obrigações, a TV Rio Negro se comprometeu, num prazo de 30 dias, a treinar e orientar os apresentadores, repórteres e produtores a elaborarem uma programação de qualidade e prestação social. "A empresa também foi obrigada a manter a proibição da presença de menores nos seus estúdios e não produzir matérias jornalísticas com o envolvimento de crianças e adolescentes", disse o procurador.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.