Publicado catálogo dos 500 livros inexistentes

Os curadores Paolo Albani e Paolo Della Bella publicaram na Itália o livro Mirabiblia - Catalogo ragionato di libri introvabili (Mirabiblia - Catálogo comentado de livros impossíveis de se encontrar) que reúne 500 livros impossíveis de serem achados. Entre eles estão: Dom Quixote do escritor Pierre Menard citado por Jorge Luis Borges em Ficções, o romance do poeta Ukko Ahti Sporgendosi dalla Costa Scoscesa ao qual Italo Calvino dedica um capítulo de Se um viajante numa noite de inverno, a Encyclopédie des Sciences Inexactes de Henri de Chambernac que inspirou Raymond Queneau na redação dos Figli del Limo, o sábio filosófico Dico Quello Che Dico de Swami Brachamutanda, fundador da escola tautológica, comentado por Umberto Eco em Il Secondo Diario Minimo. Não é uma coleção de raridades para bibliófilos. Na verdade, esses livros nunca foram publicados. Não há somente livros imaginados, mas também pseudobibliografias e 50 bibliotecas imaginárias. Imaginadas, inventadas? Sim, mas todas construídas a partir de sugestões das fontes altamente confiáveis de grandes autores como François Rabelais, Laurence Sterne, Edgar Allan Poe, Carlo Dossi, Marcel Schwob, Giorgio Manganelli. Albani e Della Bella construíram para cada livro inventado uma ficha com diversos detalhes bibliográficos, inclusive o formato, o editor, a capa e até o preço em euros, além de uma síntese completa do conteúdo e a indicação das obras literárias em que o volume é citado. As tramas dos livros inexistentes são na verdade muitas histórias, que nascem de outras histórias, como sempre acontece nas narrações. Uma brincadeira? Sim, uma brincadeira muito séria porque, como afirmam os curadores, criar um livro é também uma operação crítica e criar um catálogo ponderado ou uma bibliografia fantástica é um gênero ao qual, desde Rabelais, escritores famosos e menos famosos dificilmente conseguem resistir.

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