Publicação com o texto estará à venda no teatro

A edição de textos teatrais contemporâneos para venda nos teatros em que as peças estão em cartaz é bastante comum nos teatros europeus e norte-americanos, porém rara no Brasil. Graças à parceria entre Gabor Aranyi, editor da Veredas, e Consuelo de Castro essa prática torna-se realidade também no Brasil. Only You recebeu edição caprichada, num volume repleto de textos críticos que estará à venda no saguão do Teatro Ruth Escobar.Com reprodução de uma foto de cena feita por Lenise Pinheiro na capa, o livro, de 80 páginas, custa R$18,00, mas quem preferir comprá-lo no teatro vai pagar apenas R$10,00. Além do texto da peça, na íntegra, o volume tem orelha assinada por J. Guinsburg e ainda dois ótimos textos no prefácio. O cientista político, escritor e jornalista Emir Sader, aborda a peça sob o enfoque político e social. Já o escritor, médico e psicoterapeuta Flávio Gikovate analisa a paixão, igualmente presente no texto.No fim do volume, nada menos do que 26 depoimentos sobre a peça, de personalidades como o deputado petista José Dirceu, o jurista Dalmo Dallari, os diretores Gianni Ratto e Fauzi Arap e as escritoras Maria Adelaide Amaral e Leilah Assumpção.Only You, Uma História de Amor de Consuelo de Castro integra a coleção Em Cartaz, da editora Veredes, que tem entre seus títulos Gilgamesh, na adaptação de Antunes Filho e as quatro grandes peças de Chekhov: A Gaivota, Tio Vânia, As Três Irmãs e O Jardim das Cerejeiras. "Gostaria que a peça de Consuelo fosse o ponto de partida para a edição de muitos outros textos brasileiros", diz Aranyi.Quando lançou a coleção, o sonho do editor era conseguir antecipar-se às montagens de bons textos, publicando-os em livros que pudessem ser vendidos nos teatros durante a temporada daí o título da coleção: Em Cartaz. "Mas nem sempre isso é fácil." Além da dificuldade de obter informações sobre o que está sendo ensaiado, muitas produções ou administrações de teatro não têm estrutura - ou não se interessam - pela publicação e venda dos exemplares durante as temporadas.Consuelo não só aprovou a idéia como tornou-se co-editora. "Tirei a minha parte do meu bolso, já que a publicação da peça não estava prevista no projeto de patrocínio." Há quase uma década sem uma nova peça nos palcos, Consuelo aponta o interesse dos jovens pelo passado recente do País como um dos principais estímulos para a tripla empreitada de Only You: criação do texto, produção do espetáculo e publicação.Ao contrário do personagem central de Only You, Consuelo jamais perdeu o elo com seu passado. Militante do movimento Tortura Nunca Mais, ela costuma realizar palestras por todo o Brasil. "Percebo um interesse cada vez maior dos jovens pelo assunto. Afinal, não é possível idealizar o futuro, sem conhecer o passado."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.