Próximo domingo, o som mais moderno que veio das gerais

Depois de Ideologia, de Cazuza, lançado hoje, no próximo domingo chega às bancas Clube da Esquina, quarto disco da Grande Discoteca Brasileira Estadão. Assim como nas três edições anteriores, o álbum é acompanhado de um livreto de aproximadamente 60 páginas, contendo informações sobre a carreira dos artistas, contexto social, político e cultural, além de discografia relacionada.

, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2010 | 00h00

Em 1967, com seu álbum homônimo, pela Codil, Milton Nascimento já tinha assombrado crítica e público - que presumiam que os lampejos criativos do cancioneiro nacional tinham se esgotado depois de tanto talento de Tom Jobim, Johnny Alf, Dick Farney, João Donato, João Gilberto, Lúcio Alves, Edu Lobo, Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil. No LP, arranjos do brilhante Luizinho Eça, do Tamba Trio, para temas do calibre de Travessia, Canção do Sal e Morro Velho.

Cinco anos mais tarde, em 1972, depois de ter lançado mais três discos - Courage (CTI, 1969), um outro com o mesmo título, Milton Nascimento (1969, Odeon) e Milton (1970, Odeon) -, já reconhecido pelo sucesso de Travessia, ele provaria ser muito mais do que compositor de uma música só. Na época, Milton já havia deixado Três Pontas, onde tocava no conjunto W"s Boys, com Wagner Tiso, mudando-se para Belo Horizonte. Lá, conheceria os irmãos Marilton, Márcio e Lô Borges, além de Beto Guedes, Fernando Brant, Ronaldo Bastos, Tavinho Moura, Flávio Venturini, Vermelho e Toninho Horta. Com toda a trupe, que se reunia na hoje famosa esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis, Milton não só apenas lançaria um dos álbuns mais importantes de sua carreira, como também um dos discos mais relevantes da história da música popular brasileira.

Em mais um exemplo do poder infindável de renovação musical do País, Clube da Esquina foi um verdadeiro choque em sua época e perdura até hoje por sua originalidade. O álbum tinha a comunhão das bagagens dos diversos integrantes do grupo, como a influência dos Beatles, das harmonias elaboradas de Jobim, variações rítmicas na medida certa e a linguagem particular e emotiva emanada das Gerais.

A competente produção de Milton Miranda, alguns arranjos dos geniais Wagner Tiso e Eumir Deodato, além da regência do saudoso Paulo Moura resultaram em 21 faixas eternizadas, como Cais, Nada Será Como Antes, Tudo Que Você Podia Ser, Trem Azul, Cravo e Canela, Um Girassol da Cor do Seu Cabelo, as enxarcadas de latinidade Dos Cruces e San Vicente, a densa Me Deixa em Paz, de Airton Amorim e Monsueto Menezes, com participação de Alaíde Costa, e o grande destaque do disco, Clube da Esquina nº2, em versão instrumental, acompanhada dos vocalizes em falsetes de Milton, com arranjo primoroso de Deodato. A força do álbum ainda seria atestada mais tarde, quando diversos temas de Clube da Esquina ecoariam com gravações de nomes da magnitude de Tom Jobim, Nana Caymmi, Ney Matogrosso e Elis Regina.

GRANDE DISCOTECA BRASILEIRA ESTADÃO

(CLUBE DA ESQUINA, 1972)

Nas bancas, dia 31/10, R$ 14,90

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