Protestos fazem "Big Brother" árabe sair do ar

Passados exatos 90 dias de sua estréia, Al Hawa Sawa (Juntos no Ar), o primeiro reality show da tevê árabe, foi tirado do ar por ser considerado ?indecente para o mundo islâmico?. Frente ao grande sucesso que o programa obteve nos sete países (Arábia Saudita, Bahrein, Síria, Tunísia, Marrocos, Argélia e Líbano) onde passava, os diretores da tevê árabe MBC, prometem relançá-lo fora do Bahrein, onde era produzido. Numa versão bem comportada do Big Brother ocidental, o Al Hawa Sawa estreou em 1º de dezembro. Num apartamento onde sexo, álcool e cigarros eram proibidos, seis jovens candidatas (homens não entravam) passavam o tempo discutindo qual delas cozinhava melhor ou como deveria se comportar um homem romântico. O prêmio? Um bom casamento com um dos candidatos a marido que se inscrevesse pela internet.Mas nem mesmo o clima ?angelical? imposto ao programa por seus produtores fez com que o Al Hawa Sawa resistisse às críticas dos muçulmanos mais ortodoxos, que saíram às ruas de Bahrein aos gritos de ?chega de irmão pecado? e ?não à indecência?. Enviaram cartas e e-mails à emissora. Neles, alguns, revoltados denunciaram três das seis candidatas por estar fumando às escondidas. Mais: algumas delas estariam também ?escondendo bebidas e cigarros no apartamento?.A gota d?água, porém, ficou por conta de Aicha Gerbas, de 21 anos, e uma das duas últimas candidatas que resistiu ao ?paredão?. Chorando, ela revelou que não aceitaria se casar com Hossam, um egípcio que se credenciou frente ao público a ser seu futuro marido após o fim do reality show. ?Não quero me casar. Explicarei as razões quando sair (da casa). Deixem-me em paz?, desabafou.Sucesso entre parte do público adolescente, o fim do Big Brother árabe deixou alguns revoltados. ?Não vejo o porquê de acabar com o programa. Todos temos nossos demônios?, argumentou uma fã identificada apenas como ?H?.Seja como for, a MBC prometeu relançar o programa a partir de uma casa fora de Bahrein. ?O sucesso do programa entre milhares de pessoas mostrou que ele deve continuar em outro país?, ponderou, sob condição de anonimato, um de seus produtores.

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