Protesto marca provas da OSB

Músicos da Sinfônica Brasileira fizeram manifestação em frente do Ministério do Trabalho, no Rio de Janeiro

João Luiz Sampaio, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2011 | 00h00

Músicos da Orquestra Sinfônica Brasileira fizeram no final da manhã de ontem uma manifestação em frente do Ministério do Trabalho, no centro do Rio. Acompanhados por artistas de outras orquestras cariocas, como a do Teatro Municipal e a Petrobras Sinfônica, eles se recusam a participar das audições de reavaliação propostas pela administração da orquestra, que começaram ontem e vão até o dia 18.

Estava marcada para ontem, no ministério, uma conversa entre os artistas da OSB, representantes da direção da orquestra e do sindicato dos músicos profissionais do Rio de Janeiro. Por meio de seu departamento jurídico, no entanto, a Fundação OSB pediu o adiamento da conversa. "O que queremos é conversar, debater. Se a fundação tivesse nos ouvido desde o início, não estaríamos aqui", disse o presidente da associação que representa os músicos da orquestra, Luzer David. "Não somos contra a avaliação, mas acreditamos que estamos sendo avaliados constantemente, no nosso dia a dia de trabalho, e que a prova proposta por eles é uma medida autoritária e desnecessária."

Músicos como o violinista Virgilio Arraes Filho, há 40 anos na OSB, e o spalla do grupo, Michel Bessler, que tinham provas marcadas para ontem, receberam pela manhã, antes mesmo do horário da avaliação, uma carta informando sua suspensão "em virtude de falta grave, consistente da sua deliberada recusa a comparecer à avaliação de desempenho previamente agendada para o dia de hoje". A carta remarca a prova e informa que, caso o músico não apareça, terá seu contrato rescindido, "por justa causa". "Como um músico pode receber a notícia de suspensão por não ter comparecido a uma prova que ainda não aconteceu? Esse é apenas mais um exemplo para mostrar a maneira como a fundação e sua direção têm lidado com nossas questões", diz David.

Pela internet, em redes sociais como o Facebook, músicos e maestros têm pedido que a fundação reconsidere seus planos e a história tem sido repercutida por artistas de orquestras americanas, europeias e por músicos da Filarmônica de Calgary, no Canadá, também dirigida pelo maestro Roberto Minczuk. "Não se trata mais de uma questão da Sinfônica Brasileira, é a situação de toda uma classe artística que está em jogo", diz Jesuína Noronha Passaroto, presidente da associação que representa os músicos do Teatro Municipal, também presente à manifestação de ontem. "Não pode existir mais espaço para esse tipo de comportamento. Se não há diálogo em uma hora como essa, como pode haver diálogo na hora de fazer música?", completa.

"Temos quatro reivindicações, sobre as quais queremos conversar", diz David. "A participação da comissão dos músicos na elaboração do processo de avaliação; a participação do sindicato dos músicos na elaboração do programa de demissões voluntárias; a preservação dos empregos dos músicos da orquestra; e a retomada das atividades da orquestra com os músicos profissionais. Não é certo que a fundação utilize a Sinfônica Jovem para manter a temporada, o propósito de uma orquestra de bolsistas não é esse." Até o fechamento desta edição, não havia sido estipulada uma nova data para um possível encontro da orquestra com a administração. Com ambos os lados defendendo suas posições, a situação parece ter chegado a um impasse.

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