Prostituição com plano de carreira

Em nova produção nacional da HBO, garotas de programa aplicam marketing para lucrar mais

ALLINE DAUROIZ, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h08

Lá pelos 30 anos, Karen descobre que não está lá tão satisfeita com os rumos de sua profissão. Ela sabe que é boa no que faz, mas está estagnada, sem perspectiva de crescimento nem plano de carreira, e é então que decide aplicar técnicas de marketing e gestão de negócio para alavancar sua renda. O caso dessa jovem com visão empresarial poderia se encaixar em qualquer revista sobre o mundo corporativo, não fosse o fato de Karen ser garota de programa de luxo, personagem de O Negócio, nova série original da HBO, em parceria com a produtora Mixer, que começa a ser gravada hoje, em São Paulo. Ao todo, serão 26 semanas de filmagens, em mais de cem locações que remetem ao circuito business da cidade, Brooklin, Vila Olímpia e Itaim.

"O ponto de partida para a trama foi a pergunta: Por que não?", disse ao Estado Rodrigo Castilho, que juntamente com Luca Paiva Mello criou e roteirizou a série de 13 episódios. "Hoje somos bombardeados por dicas para alavancar negócios. Então, pensamos que seria divertido aplicar essas ferramentas na profissão mais antiga do mundo, que, curiosamente, teve poucas mudanças na forma como é praticada até hoje."

Baseada em estratégias reais que grandes bancos, supermercados e montadoras usaram para melhor posicionar suas marcas, a série conta a história de três amigas, prostitutas de luxo, longe do estereótipo das meninas gostosonas e espetaculosas das ruas e boates.

Como protagonistas foram escolhidas as magrinhas Rafaella Mandelli (de Meu Nome Não É Johnny), Juliana Schalch (do especial Alice, da HBO) e Michelle Batista (da série Os Clandestinos, da Globo). "Quisemos dar a sensação de que elas são mulheres comuns, que estão na mesma fila do banco, comendo nos mesmos restaurantes que qualquer pessoa, sem que se perceba que são prostitutas", diz Castilho.

Para evitar qualquer estereótipo, as atrizes foram orientadas a não procurar garotas de programa reais, para fazer o chamado "laboratório". "Elas não destoam da sociedade, estão totalmente inseridas, sem trejeitos estereotipados. São bonitas, informadas, elegantes e absolutamente comuns", conta um dos diretores, Michel Tikhomiroff.

Ainda assim, Castilho diz que a equipe de pesquisa da Mixer ouviu prostitutas de luxo.

"É curioso, porque nós não as identificamos facilmente em meio à multidão, mas elas se reconhecem e dizem: "Aquela lá é 'garota'. E, sobre sentimento, é interessante que, por mais intimidade que tenham com os clientes, dormir junto é uma coisa complicada", explica.

Segundo Castilho, além do inusitado do roteiro, o diferencial de O Negócio - que, segundo ele, se distancia do filme Bruna Surfistinha e da série do Multishow Oscar, 279 - é a leveza com que o tema será abordado. "Vamos tocar em temas dramáticos, como relacionamentos, traição, morte, mas sempre de forma leve. No geral, o marketing dá um tom farsesco à trama."

Para as atrizes, apesar da diversão dos casos retratados, a série vai dar uma aula de business plan, que, no fim das contas, pode ser aplicada a qualquer profissão.

"Vimos que o marketing está em todo lugar. Estou uma consumidora mais consciente", brinca Rafaela Mandelli, a prática Karen, dona da ideia.

"Agora fico me perguntando: por que será que esse produto está ao lado daquele na prateleira do mercado?", diz Michelle Batista, que interpreta a caçula do grupo, a bon vivant Magali.

Para Juliana Schalch, a romântica Luna, a série será uma quebra de tabu, já que as sócias farão pesquisa de mercado para atrair também clientes casados. "Achei o roteiro muito original. E o mais diferente é que nunca ouvi falar que p... tinha sócia."

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