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Prosa inspirada na poesia

A trama de Alejandro Zambra avança, em Bonsai, como se fosse cultivada

UBIRATAN BRASIL, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2012 | 03h10

O chileno Alejandro Zambra é representante da nova geração de autores com fôlego para voos altos. Eleito pela revista britânica Granta como um dos 22 melhores jovens escritores hispano-americanos, ele é uma das principais apostas da 10.ª Festa Literária Internacional de Paraty, que acontece entre os dias 4 e 8 de julho, na cidade fluminense, e que vai privilegiar novos talentos, nacionais e internacionais (leia abaixo).

Autor de Bonsai (Cosac Naify), história de um amor entre dois jovens que está no fim, Zambra, que nasceu em 1975, exibe uma escrita com cortes precisos e esmerado sentido formal. Sobre seu projeto literário, ele respondeu, por e-mail, às seguintes perguntas.

Bonsai partiu da ideia de um projeto poético?

Não faço muita diferença entre a poesia e a narrativa. Comecei fazendo aquilo que fazem quase todos os chilenos: escrevendo poesia. E não deixei de fazê-lo. Quando comecei Bonsai, minha intenção era escrever uma série de poemas, e a verdade é que esses não vieram a mim. Foi surgindo em mim a imagem de alguém que, em lugar de escrever, queria cuidar de um bonsai.

A poesia se posiciona de maneira problemática diante da ficção? Parece-me que, na leitura da poesia, continua a funcionar o mito do poeta, a sombra de uma personalidade. Eu me interesso por vários dos autores que levam esses problemas ao extremo, como Nicanor Parra, Borges e Fernando Pessoa.

Mario Vargas Llosa crê que a literatura criada "diretamente para tablets" irá cair na frivolidade. O que acha disso?

Admiro a obra de Vargas Llosa e me oponho a 90% das opiniões dele. Creio que é evidente que as formas de escrever e ler têm se transformado e continuarão a se transformar, mas isto não me parece ser algo necessariamente ruim. Sou fetichista em relação aos livros, me interessa o mistério da página, a ideia de uma biblioteca, e, mesmo assim, não posso me fechar para o livro eletrônico porque, sobretudo no Chile, os livros são de fato objetos demasiadamente caros e luxuosos, nada populares. Além disso, o formato não é nenhuma garantia de qualidade: o importante é o texto. Hoje em dia talvez alguém leia Clarice Lispector numa cópia xerocada ou numa tela, enquanto outra pessoa lê Paulo Coelho numa edição encadernada...

Você acredita ter rompido com alguma tradição? O que pensa da vanguarda na literatura?

Adoro a vanguarda e creio que, em parte, meus livros vêm dessa tradição. Mas não tenho interesse na inovação pela inovação. Não é nos novos procedimentos, por exemplo, que eu colocaria a ênfase. Se às vezes os buscamos, os ensaiamos ou os adotamos, é por causa da natureza daquilo que queremos comunicar, e não da necessidade de ser - ou parecer - atual.

O que seria típico de sua obra?

Não sei. Talvez tenha algo a ver com a distância. Em Bonsai, o narrador constrói uma distância que permite que a história seja "narrável": às vezes, se esconde dos personagens, outras vezes os protege. O narrador de La Vida Privada de los Árboles está mais próximo do protagonista, é quase uma falsa primeira pessoa. É também minha própria disposição diante deste livro, pois La Vida Privada de los Árboles é o romance que mais gosto.

Não é incrível o poder da ficção em interferir na realidade?

Trata-se de algo que sempre me interessou e sempre me pareceu importante, desde pequeno. E, de certo modo, é esta pergunta que anima meu trabalho: o que procuramos na ficção? O que encontramos nela? Nos meus livros, sempre expresso de alguma maneira a pergunta: qual o sentido de ler ou escrever livros num mundo como este? Aquele que lê sabe ficar sozinho. Aquele que escreve sabe ficar sozinho. Num mundo em que ninguém quer ficar sozinho, este gesto adquire um valor imenso.

Você citou Clarice - o que mais gosta na literatura brasileira?

Gosto de muitos autores. Clarice é maravilhosa. Gosto também de Rubem Fonseca, João Gilberto Noll, Sérgio Sant'Anna, para não falar na brilhante poesia dos concretos. Também gostei muito dos romances de Chico Buarque, me interessa muito o trabalho de autores mais jovens como João Paulo Cuenca, Adriana Lisboa e Santiago Nazarian. Há um conto de Murilo Rubião que me fascina, mas não pude ler mais da obra dele, pois não falo português.

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